A exoneração de uma assessora comissionada da Prefeitura de Corumbá levantou questionamentos sobre critérios administrativos, controle de frequência e uso de recursos públicos no município. Embora a portaria publicada no Diário Oficial registre que a saída ocorreu “a pedido”, o histórico da nomeação expõe fragilidades na gestão do prefeito Gabriel Alves de Oliveira (PSB).
Por meio de portaria divulgada na noite desta sexta-feira (30), o prefeito exonerou servidora do cargo em comissão de assessora executiva II (DAG-4), vinculada à Secretaria Municipal de Governo e Gestão Estratégica. A servidora havia sido nomeada em 6 de novembro do ano passado e recebia salário em torno de R$ 7,9 mil mensais.
A exoneração ocorre semanas após reportagem do Midiamax revelar que servidora residia em Campo Grande, a aproximadamente 430 quilômetros de Corumbá. À época da publicação, colegas de setor afirmaram que “nunca” haviam visto a assessora cumprir expediente presencial na prefeitura, o que acendeu o alerta para um possível caso de cargo comissionado sem efetivo exercício das funções.
Apesar da gravidade das informações, não há registro público de abertura de sindicância, apuração administrativa ou qualquer explicação oficial detalhada por parte do Executivo municipal. A justificativa genérica de exoneração “a pedido” não esclarece se houve irregularidade, falha de fiscalização ou simples tentativa de encerrar o episódio sem maiores desgastes políticos.
O caso expõe um problema recorrente em administrações públicas: a fragilidade no controle de cargos comissionados, frequentemente utilizados como moeda política, muitas vezes sem transparência sobre atribuições, carga horária ou entrega de resultados concretos à população.
Em um município com desafios estruturais históricos e limitações orçamentárias, a manutenção de servidores com salários elevados, supostamente sem presença no local de trabalho, levanta dúvidas sobre a responsabilidade na gestão do dinheiro público. A exoneração, por si só, não responde às perguntas centrais: quem autorizou a contratação, quem fiscalizava o cumprimento das funções e por que a situação só veio à tona após repercussão na imprensa.
Até o momento, o prefeito Gabriel Alves de Oliveira não se manifestou publicamente sobre o caso, tampouco explicou se haverá investigação interna para apurar eventuais irregularidades. O silêncio reforça a percepção de que a exoneração pode ter sido mais uma tentativa de abafar o episódio do que de enfrentá-lo com transparência.





















