Unidade Ameaçada

Presença de Azambuja nos territórios originais do PL fere bolsonarismo raiz e racha a direita em MS

(Foto: Paulo Francis)

publicidade

Apesar do festival de filiações com legiões trânsfugas pulando pela tal “janela partidária”, nem tudo é festa em algumas agremiações de Mato Grosso do Sul, principalmente no PL, cujos problemas pontuais já estão impactando negativamente nas demais forças de apoio ao bolsonarismo e até mesmo ao governo estadual. A causa desses problemas não tem nada a ver com a “janela” aberta pela legislação eleitoral, mas com uma outra adesão, efetivada feita em setembro de 2025, quando o PL cooptou o ex-governador Reinaldo Azambuja, arrancando-o do PSDB para fazer a sua filiação.

Esta mudança foi uma ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro, que em troca do apoio para o seu candidato na sucessão presidencial, fez um acordo para apoiar a candidatura de Reinaldo Azambuja ao Senado e do governador Eduardo Riedel (PP) à reeleição. Bolsonaro tinha a intenção de juntar todos os partidos que seguem sua liderança – como o PL, PP, Republicanos e PSDB – e formar uma frente´ampla e única para encarar a disputa sucessória com o PT de Lula e seus aliados. Só não contava com a reação negativa de setores influentes do PL sulmatogrossense à filiação de Azambuja.

Leia Também:  Rompimento de fibra afeta serviços presenciais do Detran em nove municípios da região de fronteira

Bastou o ex-governador confirmar que até o partido de Bolsonaro para lideranças do PL se rebelarem, principalmente o deputado federal Marcos Pollon e o deputado estadual João Henrique Catan. E a rebelião teve consequências nada agradáveis para o bolsonarismo raiz. Além de atacar implacavelmente Riedel e seu governo, Catan também colocou em sua mira o ex-governador Azambuja. Irredutível, lançou-se pré-candidato à sucessão estadual e para concretizar a decisão saiu do PL e filiou-se ao Novo.

IMPACTOS – Um dos impactos desse movimento de Catan está se refletindo nas pesquisas de intenção de voto. Com ele na concorrência, a vantagem de Riedel caiu acentuadamente. Ainda é relativamente grande, mas deixou de ser tão confortável quando eram apenas o governador e o petista Fábio Trad polarizando a disputa.

A entrada de Catan no páreo exige uma nova conta matemática. A cada pesquisa, a soma das intenções de votos de Trad e Catan se aproxima da pontuação de Riedel – é o fator Azambuja fazendo a diferença, ou melhor, diminuindo a diferença que já foi enorme a favor do governador.

Leia Também:  Negócio de família: Justiça condena ex-prefeito e mais nove por nepotismo em Nioaque - MS

A filiação de Azambuja gerou tensões internas significativas com várias lideranças da ala mais à direita do PL e contrariou uma expressiva parcela do chamado bolsonarismo-raiz, que tem João Catan entre seus principais representantes. Para esse bloco, o ex-governador não deixou de ser tucano – portanto, um político de centro – e virou bolsonarista de última hora, por conveniência.

Além disso, Catan e os seus seguidores ainda guardam feridas não cicatrizadas, causadas pelo violento embate travado no segundo turno das eleições estaduais de 2024, quando Riedel venceu graças ao apoio que teve do PT, numa negociação que garantiu aos lulistas ocupar uma das secretarias estaduais. Dessa forma, será complicado para os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Riedel (PP) juntarem no mesmo palanque em Mato Grosso do Sul todas as forças que fazem parte da aliança de direita, entre as quais o Novo, que caminhará na direção oposta, até que se prove o contrário.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide