Senacon investiga BRB por dificultar cancelamento de débitos automáticos e agravar superendividamento no DF

publicidade

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, instaurou investigação contra o Banco de Brasília por suspeitas de práticas abusivas relacionadas à recusa no cancelamento de débitos automáticos em contas utilizadas para recebimento de salários. A apuração foi motivada por denúncia da Defensoria Pública do Distrito Federal, que aponta impacto direto no agravamento do superendividamento de clientes — especialmente servidores públicos e pensionistas.

Segundo dados do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), da Defensoria, o cenário é expressivo: nos últimos cinco anos, o BRB esteve presente como réu em 96% das ações de superendividamento propostas pelo órgão no Distrito Federal. Os relatos indicam que clientes enfrentavam obstáculos reiterados para cancelar débitos automáticos, o que, em situações extremas, resultava no desconto integral dos salários, comprometendo despesas essenciais.

Medidas cautelares impostas

Diante da gravidade das denúncias, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), vinculado à Senacon, determinou a adoção imediata de medidas cautelares por parte do banco. Entre elas, está a obrigação de dar ampla transparência aos consumidores, informando em seus canais oficiais que o cancelamento de débitos automáticos pode ser realizado a qualquer momento.

Leia Também:  Inscrições abertas para primeiro curso gratuito de Formação em Comunicação e Difusão Cultural do DF

Além disso, o BRB terá o prazo de 30 dias para comunicar individualmente todos os correntistas sobre esse direito. A instituição também deverá encaminhar relatórios mensais à Senacon com o detalhamento das solicitações de cancelamento recebidas, permitindo o monitoramento contínuo da conduta.

O descumprimento das determinações pode resultar na abertura de processo administrativo sancionador, com aplicação de penalidades. Paralelamente, o caso foi encaminhado ao Banco Central do Brasil, que deverá apurar possíveis falhas de governança e verificar se práticas semelhantes ocorrem em outras instituições financeiras.

Direito do consumidor

A legislação vigente é clara ao estabelecer que o débito automático depende de autorização prévia do cliente e pode ser cancelado a qualquer momento. O entendimento é reforçado pelo Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a ilegalidade de restrições indevidas a esse direito.

O Código de Defesa do Consumidor também classifica como abusivas práticas que contrariem normas oficiais ou coloquem o consumidor em desvantagem excessiva, especialmente quando comprometem o chamado “mínimo existencial”, conceito ligado à garantia de condições básicas de subsistência.

Leia Também:  Sistema de água e esgoto do DF: mais de R$ 1 bi investido em melhorias

Pressão crescente sobre o BRB

A investigação da Senacon ocorre em meio a um contexto mais amplo de questionamentos sobre a gestão do BRB. A Polícia Federal conduz inquérito para apurar suspeitas de gestão fraudulenta na instituição. Além disso, o banco deixou de divulgar seu balanço financeiro de 2025 dentro do prazo legal, episódio associado ao chamado “Caso Master”.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide