A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, oficializou nesta quinta-feira (28) a nomeação do deputado distrital Pepa como novo líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A mudança ocorre em um momento de desgaste político para o Palácio do Buriti e evidencia uma tentativa do governo de reorganizar sua base aliada diante de pautas explosivas e do avanço das crises envolvendo o Executivo.
Pepa assume o posto anteriormente ocupado por Hermeto, que deixa a liderança em meio às investigações sobre supostos desvios na Secretaria de Educação do DF. A troca de comando, embora tratada oficialmente como uma reorganização administrativa, é vista nos bastidores como uma tentativa da governadora de recuperar o controle político da Câmara e blindar o governo em um cenário cada vez mais delicado.
Aliado de longa data de Celina Leão e integrante do mesmo partido, o PP, Pepa foi escolhido por seu perfil conciliador e pela capacidade de dialogar com parlamentares de diferentes campos ideológicos. O discurso da “boa relação” com todos os grupos, no entanto, esconde o principal desafio do novo líder: conter o desgaste da gestão e impedir rachaduras na base governista em pleno ambiente pré-eleitoral.
A chegada de Pepa acontece justamente quando o Governo do Distrito Federal enfrenta forte pressão política e administrativa. Entre os temas mais sensíveis está a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB), cuja aproximação com o Banco Master gerou questionamentos dentro e fora da CLDF. O novo líder já estreia sob pressão para atuar diretamente na articulação contra propostas que tentam barrar ou revisar operações envolvendo o banco estatal.
Além disso, Pepa terá a missão de defender um governo pressionado por críticas relacionadas à condução fiscal do DF, cortes de despesas, dificuldades de articulação política e sucessivas polêmicas administrativas. Nos corredores da Câmara, deputados aliados admitem reservadamente que há insatisfação crescente com a comunicação do governo e com a dificuldade do Buriti em construir consensos.
A escolha também reforça o esforço de Celina Leão para consolidar uma identidade própria de governo após anos sob a forte influência política do ex-governador Ibaneis Rocha. A substituição de Hermeto, nome ligado diretamente ao grupo político de Ibaneis, por um aliado pessoal da governadora, é interpretada como um movimento para centralizar ainda mais o comando político nas mãos de Celina.
Apesar do discurso de unidade, o cenário na CLDF está longe de ser estável. A base governista enfrenta divisões internas, disputas por espaço político e pressões de parlamentares que já começam a se movimentar de olho nas eleições de 2026. Nesse contexto, Pepa assume uma função estratégica, mas também de alto risco: administrar conflitos internos enquanto tenta evitar que novas crises aprofundem o desgaste do governo dentro da Câmara.
A estreia oficial do novo líder ocorrerá na próxima terça-feira (2), em uma sessão que promete colocar à prova a capacidade de articulação do parlamentar logo nos primeiros dias da nova função.























