Dinheiro Público

R$ 3 bilhões em cachês: 40 artistas concentram fortuna paga por prefeituras e governos, revela levantamento

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Estudo do De Olho nos Ruralistas aponta que grupo seleto recebeu R$ 3,08 bilhões em shows financiados com recursos públicos desde 2024; valor se aproxima do orçamento anual do Ministério da Cultura

Um levantamento publicado pelo De Olho nos Ruralistas revelou que apenas 40 artistas e bandas receberam R$ 3,08 bilhões em cachês pagos por prefeituras e governos estaduais para apresentações realizadas entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de março de 2026. O estudo integra o relatório “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”, divulgado no início de julho.

Segundo a pesquisa, o volume de recursos destinados ao grupo seleto de artistas é praticamente equivalente ao orçamento previsto para todo o Ministério da Cultura em 2026, estimado em R$ 3,26 bilhões.

O levantamento analisou mais de 20 mil contratos públicos, identificando que aproximadamente 40% deles sequer estavam disponíveis no Plano Nacional de Contratações Públicas (PNCP), principal base de dados utilizada para acompanhar as compras e contratações do poder público.

De acordo com o relatório, apenas um artista acumulou mais de R$ 158 milhões em cachês no período analisado. Além disso, R$ 1,78 bilhão do total pago foi direcionado a apenas 20 artistas ligados a cinco produtoras, sendo que duas dessas empresas pertencem aos próprios cantores Wesley Safadão e Xand Avião, que também figuram entre os artistas mais contratados.

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O ranking ainda inclui nomes como Ana Castela, consolidando a presença de artistas do sertanejo, forró, piseiro, arrocha, brega e pagodão entre os principais beneficiados pelos contratos públicos.

Forró lidera volume de recursos

Embora o sertanejo continue sendo o gênero dominante no mercado fonográfico brasileiro, o estudo mostra que, entre os artistas mais contratados pelo poder público, predominam representantes do forró, piseiro e ritmos nordestinos.

Entre os dez maiores recebedores de recursos públicos, sete pertencem a esses estilos musicais. O sertanejo aparece apenas uma vez entre os dez primeiros colocados, com a dupla Maiara & Maraisa, enquanto o pagodão baiano é representado exclusivamente por Léo Santana.

Contratações sem licitação

O relatório destaca que a maioria das apresentações foi contratada por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade prevista na legislação para artistas de notória especialização ou reconhecimento público, dispensando concorrência entre interessados.

Os pesquisadores questionam, no entanto, os critérios utilizados para definir quais artistas são contemplados por esse tipo de contratação, considerando que o Brasil possui mais de 150 mil profissionais da música.

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Debate sobre recursos públicos

O estudo também chama atenção para artistas que já fizeram críticas à Lei Rouanet, mas figuram entre os beneficiários de contratos públicos.

É o caso de Eduardo Costa, que aparece na 22ª posição do ranking, e da dupla Zé Neto & Cristiano, na 21ª colocação.

Segundo o De Olho nos Ruralistas, embora as críticas desses artistas tenham sido direcionadas à Lei Rouanet, os valores analisados no relatório não se referem a incentivos fiscais, mas sim a pagamentos diretos realizados por prefeituras e governos estaduais para contratação de shows.

A pesquisa ressalta ainda que os R$ 3,08 bilhões destinados aos 40 artistas mais contratados se aproximam do recorde de R$ 3,41 bilhões captados por projetos da Lei Rouanet em 2025. A principal diferença, segundo os autores, é que os cachês analisados no levantamento saem diretamente dos cofres públicos, enquanto a Lei Rouanet envolve renúncia fiscal destinada a diferentes segmentos culturais, e não exclusivamente à música.

Fonte: levantamento “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”, produzido pelo De Olho nos Ruralistas.

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