O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), que está a negócios pelo Estado na Ásia, teve tempo para redigir e publicar uma nota, criticando a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação judiciária-prisional foi feita no início da noite de ontem, pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que decretou o ato após o réu, já com tornozeleira eletrônica, ter descumprido mais normas restritivas que lhe foi imposta pelo STF.
Riedel que anunciou ontem e oficializou nessa terça-feira (5), cortes de gastos, ante ao ‘tarifaço dos EUA, de 50% a produtos brasileiros em favor de Bolsonaro’, criticou a prisão decretada, sem lembrar ou sem levar em conta, que devido a esta situação, MS pode perder 61% do que importa para os americanos, que tem como presidente Donald Trump, amigo de Bolsanaro e quer interferir na soberania nacional, para somente ‘salvar’ o aliado da extrema direita nacional e dos EUA.
O governador criticou a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente, como sendo “excessos judiciais” e uma escalada da tensão política no País. Contudo, esqueceu que tudo vem acontecendo, basicamente devido a família Bolsonaro e seus apoiadores.
“Prisão domiciliar, com restrição de direitos fundamentais e sem julgamento concluído são excessos judiciais que geram temerária escalada da tensão política e jurídica no país”, condenou o tucano ante Moraes ignorando a pressão dos bolsonaristas e as ameaças do presidente Trump, de interferir no poder judiciário. Moraes enfatizou que a Justiça é cega, mas não é tola.
Contradição x Judiciário
O “pronunciamento”, até contraditório, foi publicado em rede social, onde Riedel ‘avalia’ que a decisão não ajuda os brasileiros em um momento de grandes e graves incertezas econômicas e compromete ainda mais a pacificação do País!
“Falo neste momento do Continente Asiático, onde justamente estamos buscando novos mercados e saídas para as exportações de produtos de MS, atingidos pelas medidas americanas e pela crise político-institucional entre os dois países. A responsabilidade pública e o esforço de todos agora devem ser na direção de flexibilizar e reduzir as tensões, retomando progressivamente o diálogo e não o contrário”, disse sobre situação provocada por Bolsonaros, tanto a taxação, como descumprimento de medidas, que levou à prisão.
“Nada disso ajuda os brasileiros neste momento de grandes e graves incertezas econômicas e só compromete ainda mais a pacificação do país”, afirmou Riedel, apontando críticas a Moraes, que agiria politicamente, como acusam os bolsonaristas, e não de acordo com a justiça brasileira, como alega o ministro. “Precisamos pensar menos em política e mais no país agora”, criticou.
“E o Brasil real precisa da normalidade institucional para superar os inúmeros desafios de um país ainda muito injusto e desigual! Que voltem urgente a serenidade e o bom senso”, pediu o tucano.
Reações
Os petistas reagiram imediatamente à postagem ante que estão, em parte pequena, mas no governo Riedel, após irem às ruas para eleger Riedel no segundo turno, para não deixar o Estado ser governado por um aliado direto e raiz do Bolsonarismo, que tinha como concorrente o então deputado estadual Capitão Contar (PRTB).
“Abaixo as intimidações à Justiça brasileira, de dentro e de fora do país, que deve exercer seu papel constitucional no combate a crimes e atentados ao Estado de Direito. Sem anistia aos golpistas da Democracia”, comentou o deputado estadual Pedro Kemp (PT).
Já o superintendente do Patrimônio da União,Tiago Botelho, disse: “Que nota lamentável, governador. Talvez tenha sido redigida por sua assessoria, pois ela o diminui, Eduardo Riedel. Bolsonaro não está acima da lei e descumpriu medidas cautelares — fato grave em qualquer democracia. Bolsonaro é um bandido que irá preso, aceite”, escreveu Botelho.
“Entendo que essa manifestação possa ter sido motivada por acordos políticos, especialmente para segurar o PL ao projeto do PSDB, mas como sul-mato-grossense, sinto vergonha ao ver o chefe do meu estado endossar uma nota tão frágil, desrespeitosa e vazia de compromisso com a justiça. A democracia exige mais — mais coragem, mais responsabilidade e mais respeito às instituições”, postou.
No X, outras reações. “Verdade governador. Prisão domiciliar é pra rico. Tinha que ser preso em uma Jaula”, comentou um.
Política partidária
A nota de Riedel, apesar de falar como governador de um Estado, deve ter vindo devido ao apoiou velado a Bolsonaro na eleição de 2022.
E já pensando na política partidária futura, pois no ano passado, ele e o então chefe estadual, o ex-governador Reinaldo Azambuja (presidente do PSDB em MS), fecharam parceria para o próximo ano eleitoral, 2026, com pretenso apoio direto de Bolsonaro.
A expectativa é de que eles se filiem e Azambuja comande o PL em breve em MS, apesar da resistência contraria de muitos bolsonaristas raiz de MS.
Bolsonaro, ano passado já estava condenado a Inegibilidade até 2030 e deve estar no próximo ano, condenado e preso no processo de tentativa de golpe em janeiro de 2023.





















