Um repasse de R$ 7 milhões à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul colocou a transparência no centro do debate político na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Deputados estaduais têm intensificado a cobrança por esclarecimentos detalhados sobre o convênio firmado ainda na gestão do ex-secretário Jaime Verruck.
O requerimento que pede investigação já foi protocolado, mas ainda depende de inclusão na pauta pela Mesa Diretora. Segundo a deputada Gleice Jane, há expectativa de que o tema avance nos próximos dias, embora a decisão final sobre a votação não esteja nas mãos dos parlamentares que cobram explicações.
No centro das críticas está a ausência de informações consideradas básicas para um convênio desse porte. O deputado Pedro Kemp afirma que o documento exige detalhes como objeto do contrato, justificativa técnica, critérios de aplicação dos recursos e regras para eventual contratação de terceiros pela entidade.
“É papel do Legislativo fiscalizar. Precisamos entender qual é o benefício concreto desse convênio para a população”, destacou.
Além da falta de clareza, o timing do repasse também levanta suspeitas. Parlamentares apontam que a liberação dos recursos ocorreu às vésperas do período eleitoral, o que, embora não configure irregularidade automática, aumenta a necessidade de transparência e prestação de contas.
O deputado Zeca do PT foi além e questionou a legalidade da assinatura do convênio, alegando que teria ocorrido após o afastamento de Verruck do cargo. A denúncia, se confirmada, pode ter implicações jurídicas e eleitorais.
As críticas, no entanto, não se restringem à oposição. Para o deputado João Henrique Catan, o caso expõe fragilidades no controle sobre recursos públicos destinados a entidades privadas.
“Estamos falando de um volume significativo de dinheiro público sem transparência clara sobre metas, indicadores e fiscalização. Isso é inaceitável”, afirmou.
Diante do cenário, cresce a articulação para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), embora ainda não haja consenso suficiente para sua instalação.
Enquanto isso, a sociedade segue sem respostas objetivas sobre como, por quem e com quais resultados os R$ 7 milhões serão aplicados um vácuo de informação que alimenta desconfiança e reforça a cobrança por transparência na gestão de recursos públicos.






















