A violência de gênero contra a mulher faz mais uma vítima oficial, registrada em Mato Grosso do Sul, que irá contabilizar o 29º Feminicídio, ocorrido na madrugada desta sexta-feira (10), em Paranaíba. Erivete Barbosa Lima de Souza, de 48 anos, foi morta com dois golpes de faca no peito pelo companheiro, no município na região Leste de MS, a 400 km da capital Campo Grande.
Conforme a PC-MS (Polícia Civil de MS), o acusado do assassinato, com agravante do Feminicídio, foi identificado apenas como Adeilton, de 30 anos, que durante uma discussão na madrugada de hoje cometeu o crime. Ele foi preso em flagrante dentro do hospital, após ainda acompanhar a vítima até a Santa Casa.
A delegada Eva Maria Cogo, titular da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Paranaíba, registrou que o casal ingeriu bebidas alcoólicas na casa de vizinhos. O crime aconteceu na zona rural, em um seringal onde vivem quatro famílias de funcionários de uma empresa.
“Eles ficaram bebendo até por volta das oito horas da noite. Quando retornaram para casa, começaram a discutir. Ela chegou a pegar as coisas dela para ir embora, e encontramos a bolsa dela caída no início da estrada. Foi nesse momento que ela foi ferida, com ao menos dois golpes de faca, um no tórax e outro na lateral, sendo o da frente o mais profundo e o que levou à morte”, explicou a delegada.
Bebida ‘ajudou’ crime
A bebida alcoólica pode ter contribuído para piorar situação. Mas, conforme a Polícia Civil, Adeilton possui um boletim de ocorrência por violência doméstica em Rondônia, onde já havia sido investigado por agredir uma ex-companheira.
As investigações apontam que o casal mantinha um relacionamento recente, de cerca de seis meses, e morava em Paranaíba há três meses. Nenhum dos dois era natural do município — ele é de Rondônia e ela, do estado de São Paulo.
Segundo a delegada, já havia um histórico de violência e controle por parte do autor. “Conversamos com a filha da vítima, que mora no interior de São Paulo, e ela relatou episódios anteriores de agressão, ameaças e destruição de objetos. Ele chegou a quebrar a televisão e o celular, além de escrever atrás de uma porta que iria matá-la”, relatou Eva.
Contudo, após ferir a companheira, Adeilton pediu ajuda aos vizinhos ao perceber a gravidade dos ferimentos. Com o auxílio dos moradores, a vítima foi colocada em um carro e levada até a Santa Casa de Paranaíba.
Ajuda na morte
O autor acompanhou o socorro e permaneceu no hospital, onde foi detido. Os próprios funcionários da unidade acionaram a polícia, que o prendeu em flagrante dentro do pronto-socorro.
Durante a prisão, o homem apresentava sinais visíveis de embriaguez e confessou o crime, alegando não lembrar da motivação. A faca usada foi apreendida pela polícia. Em depoimento à polícia, ele justificou o crime: “Foi a cachaça”.
Até agora, nove testemunhas foram ouvidas no auto de prisão em flagrante. O caso segue sob investigação da DAM de Paranaíba.
FEMINICÍDIOS EM MS
Do início do ano até aqui, alguns crimes marcaram a opinião pública pela brutalidade ou pelo simbolismo. Foi o caso da jornalista Vanessa Ricarte, assassinada em Campo Grande no dia 12 de fevereiro. Em áudio, Vanessa reclamava do atendimento na delegacia, o que provocou mudanças profundas na forma de abordagem.
Outro caso de grande comoção foi o duplo feminicídio de Vanessa Eugênia Medeiros e da filha, a bebê Sophie Eugênia, de apenas dez meses, mortas em 26 de maio. O autor foi o companheiro de Vanessa e pai da criança. Ele tentou simular um desaparecimento para despistar a polícia, mas acabou preso em flagrante.
Em 2025, já passa dos 11 mil os casos de violência doméstica e de gênero, vitimando fatalmente 29 mulheres. O número deste ano já cresceu, ainda faltando 81 dias do ano. Em 2024, o Estado contabilizou 11.427 casos de violência doméstica. com 35 mortes.
O crime de feminicídio é definido no Código Penal como o homicídio praticado “contra a mulher por razões da condição do sexo feminino”. A pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão, com agravantes que podem elevar a punição, como quando a vítima está grávida, é menor de 14 anos ou possui alguma deficiência.




















