59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro pode ser cancelado por atraso de repasses do GDF

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

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A realização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos mais importantes e tradicionais eventos do audiovisual nacional, está ameaçada devido ao atraso nos repasses financeiros do Governo do Distrito Federal (GDF). Previsto para acontecer entre os dias 11 e 19 de setembro, o festival corre o risco de não ser realizado caso os recursos não sejam liberados nas próximas semanas. 

O impasse envolve o não pagamento da primeira parcela do contrato firmado entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF) e o Instituto Alvorada Brasil, entidade responsável pela organização do evento. O valor, de R$ 1,5 milhão, deveria ter sido repassado ainda em maio e corresponde à metade do orçamento previsto para a edição de 2026 dentro do planejamento trienal firmado entre as partes. 

Segundo a organização, a ausência dos recursos compromete toda a estrutura necessária para a realização do festival, desde a contratação de fornecedores até a confirmação da programação oficial. 

Produção enfrenta dificuldades 

Sem o repasse financeiro, cerca de 40 profissionais que atuam na organização do festival trabalham há meses sem remuneração. Além disso, mais de 100 contratações de serviços e fornecedores permanecem paralisadas, afetando áreas como logística, infraestrutura, hospedagem e produção técnica. 

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Outro impacto direto é sobre a programação. Aproximadamente 80 filmes brasileiros já selecionados para a mostra dependem da confirmação da realização do evento, o que exige a contratação imediata de serviços e a organização da logística para receber equipes e convidados. 

Integrantes da produção afirmam que o tempo disponível para preparar o festival está se esgotando e alertam que, sem a liberação imediata dos recursos, a edição de 2026 poderá ser inviabilizada. 

Evento é referência do cinema nacional 

Criado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é um dos mais antigos do país e se consolidou como uma das principais vitrines do cinema nacional, responsável por revelar cineastas, premiar produções e fomentar debates sobre o audiovisual brasileiro. 

Ao longo de sua história, o festival manteve sua realização mesmo em períodos de grande instabilidade, como durante a ditadura militar e a pandemia de covid-19, o que reforça a preocupação do setor cultural diante da possibilidade de cancelamento da edição deste ano. 

Situação também afeta o Cine Brasília 

A crise financeira também alcançou o Cine Brasília, tradicional espaço que recebe o festival. A entidade responsável pela gestão do equipamento cultural também aguarda o repasse de uma parcela de R$ 1 milhão, prevista para maio. 

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Diante da falta de recursos, a Secec autorizou, de forma excepcional, a utilização da arrecadação proveniente da bilheteria para custear despesas operacionais, com a promessa de recompor os valores posteriormente. 

Secretaria afirma que processo segue em andamento 

Em nota, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal informou que mantém diálogo com a organização do festival e com os setores responsáveis pela execução orçamentária do Governo do Distrito Federal. 

Segundo a pasta, os processos administrativos para a liberação dos recursos seguem em tramitação interna e estão sendo analisados juntamente com a Secretaria de Economia. No entanto, até o momento, não foi informada uma data para o pagamento da verba. 

Enquanto o prazo para a abertura do festival se aproxima, produtores, realizadores e representantes do setor audiovisual aguardam uma definição do GDF para garantir a realização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, considerado um dos principais patrimônios culturais do Distrito Federal e do cinema brasileiro.

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