“Assunto da Justiça, não é meu não”

“Assunto da justiça, não é meu não”: declaração de Ibaneis expõe distanciamento político de Bolsonaro no DF

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Mesmo diante da prisão do ex-presidente, governador evita se posicionar e evidencia o enfraquecimento da relação que antes movimentava a política local.

 

A frase direta do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB)“Assunto da Justiça, não é meu não” — marcou nesta segunda-feira (24) um dos sinais mais explícitos do distanciamento político entre ele e Jair Bolsonaro, que está preso na Superintendência da Polícia Federal desde sábado (22). A declaração, dada à TV Globo, reforçou a percepção de que a interlocução entre ambos já estava desgastada muito antes da crise atual.

Apesar do histórico de alianças e do apoio bolsonarista que ajudou a consolidar sua base eleitoral, Ibaneis evitou qualquer comentário sobre a prisão preventiva do ex-presidente. O silêncio calculado do governador foi interpretado por aliados como tentativa de se desvincular definitivamente do desgaste político que acompanha Bolsonaro desde o avanço das investigações no STF.

Relação política esvaziada

Nos bastidores, a avaliação é de que a relação entre ambos vinha se desidratando desde o segundo mandato de Ibaneis. O rompimento de confiança após a intervenção federal na segurança do DF, em 2023, reduziu drasticamente o diálogo. Desde então, a troca política, antes intensa, passou a ser mínima e mais protocolar do que estratégica.

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O contraste ficou ainda mais evidente com a postura da vice-governadora Celina Leão, que mantém alinhamento com Bolsonaro e sua base. No dia da prisão, ela posou para fotos ao lado do ex-presidente e recepcionou Michelle Bolsonaro no Aeroporto de Brasília, reforçando sua posição como ponte com o eleitorado bolsonarista.

O contexto da prisão

A prisão preventiva de Bolsonaro foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes após a PF apontar dois elementos considerados graves:

  • violação da tornozeleira eletrônica, registrada na madrugada de sábado,
  • convocação de apoiadores para uma vigília em frente à residência do ex-presidente, que poderia atrapalhar a fiscalização da prisão domiciliar.

Com a formação de maioria no STF nesta segunda-feira (24) para manter Bolsonaro preso, o episódio avaliado como mais grave da crise política recente tende a se prolongar e Ibaneis, ao que indica sua postura, não pretende dividir o palco com o ex-presidente.

Apesar do distanciamento pessoal e político, o Distrito Federal deverá arcar com o custo da tornozeleira eletrônica danificada, consequência de um veto de Ibaneis em 2021 que impediu a cobrança do equipamento a presos.

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Silêncio como estratégia

A ausência de posicionamento do governador, em um momento de forte tensão nacional, evidencia mais do que cautela institucional mostra que a parceria com Bolsonaro já não interessa politicamente ao chefe do Executivo local. Para aliados próximos, Ibaneis busca preservar sua gestão de novos desgastes e evitar associações com crises que não lhe trazem ganhos.

Nesse cenário, sua frase curta — quase um descolamento público — tornou-se símbolo de uma relação que já estava em ruínas.

 

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