Ato reúne centenas de funcionários em frente à CLDF, que pressionam deputados pela aprovação do PL 2.175/2026 e alertam para risco de intervenção e privatização do BRB.
Centenas de funcionários do Banco de Brasília (BRB) realizaram, nesta terça-feira (3/3), um ato em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para pressionar os deputados distritais a votarem o Projeto de Lei nº 2.175/2026, que prevê medidas emergenciais para reforçar o caixa da instituição. O clima foi marcado por apreensão, discursos emocionados e temor quanto ao futuro do banco.
O projeto, apelidado por trabalhadores de “PL da salvação”, autoriza operações que podem alcançar até R$ 6,6 bilhões, incluindo a contratação de empréstimos e a utilização de imóveis públicos como garantia ou para integralização de fundo imobiliário. Para os servidores, a aprovação é vista como condição essencial para evitar um cenário de insolvência.
Medo de intervenção e privatização
Entre os manifestantes, o receio vai além das dificuldades financeiras imediatas. Muitos temem que a crise abra caminho para uma eventual intervenção do Banco Central do Brasil, por meio de um Regime de Administração Especial Temporária (RAET).
Na avaliação de servidores ouvidos durante o ato, uma intervenção poderia resultar em reestruturação profunda com vistas à venda da instituição. “A gente teme que o banco seja saneado para ser privatizado”, afirmou um funcionário com mais de uma década de casa.
A mobilização também foi impulsionada por questionamentos sobre decisões recentes da gestão e os impactos de operações financeiras que ampliaram a exposição da instituição a riscos elevados.
Impacto social e econômico
O BRB é considerado estratégico para a economia local, com forte atuação no financiamento imobiliário, crédito a servidores públicos e operações vinculadas ao Governo do Distrito Federal (GDF). Trabalhadores destacaram que eventual colapso teria efeito direto sobre milhares de famílias, além de repercussões no sistema de pagamentos e serviços essenciais.
O próprio presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, já alertou publicamente que, sem reforço de capital, serviços como o sistema de bilhetagem e outras operações podem sofrer interrupções.
Pressão sobre os deputados
A decisão sobre a inclusão do projeto na pauta depende do Colégio de Líderes da CLDF. Parlamentares discutem possíveis ajustes no texto para ampliar garantias de transparência e controle na aplicação dos recursos.
Enquanto isso, servidores seguem mobilizados e prometem intensificar a pressão até que a matéria seja apreciada em plenário. Para a categoria, a votação representa não apenas uma medida financeira, mas uma definição sobre o futuro de uma das principais instituições públicas do Distrito Federal.
























