Após a eliminação de três concorrentes de outros estados, a empresa campo-grandense Dodmax Tecnologia recebeu uma nova oportunidade para seguir na disputa pela concessão da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul), um contrato que pode movimentar cifras bilionárias.
A decisão foi tomada nesta terça-feira (28) pela Secretaria de Estado de Administração. Apesar de não ter sido aprovada na chamada Prova de Conceito etapa em que as empresas precisam demonstrar na prática a funcionalidade da plataforma , a Dodmax poderá corrigir uma falha identificada durante a apresentação e passar por nova avaliação no dia 5 de maio.
De acordo com os organizadores, o edital prevê prazo de dois dias úteis para ajustes nesse tipo de situação. No entanto, o período foi estendido por questões de agenda da equipe responsável pelo certame.
A empresa sul-mato-grossense pertence ao pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero e foi criada em 2024, já no contexto das tratativas para a licitação. Mesmo tendo ficado inicialmente em quarto lugar, a Dodmax passou a ter protagonismo após a desclassificação das concorrentes.
Entre as empresas eliminadas estão a LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda, com atuação em diversos estados; a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação, ligada à tradicional família Baungartner; e a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria, sediada em São Paulo.
A Dodmax apresentou proposta para ficar com 69% da arrecadação da operação, percentual superior ao da primeira colocada, que previa 64%. A estimativa inicial do edital aponta para uma receita anual de cerca de R$ 51,4 milhões com a exploração da plataforma.
Licitação marcada por controvérsias
O processo licitatório da Lotesul se arrasta há mais de um ano e tem sido alvo de sucessivas suspensões e questionamentos. Em dezembro do ano passado, o certame foi interrompido pela segunda vez após determinação do Tribunal de Contas do Estado, que solicitou esclarecimentos sobre possíveis irregularidades.
O conselheiro Márcio Monteiro apontou inconsistências no edital e determinou a suspensão até que fossem prestadas informações pelos secretários estaduais de Fazenda e Administração.
As suspeitas incluem possível direcionamento da licitação, com exigências consideradas incomuns e que poderiam comprometer a competitividade e a viabilidade econômica do processo.
Denúncias semelhantes já haviam levado à paralisação da concorrência em abril de 2025. Um dos denunciantes foi Jamil Name Filho, atualmente preso em unidade federal e condenado por crimes como homicídio e extorsão.
Após a primeira suspensão, o governo promoveu alterações no edital e retomou o processo, mas os questionamentos persistiram.
Potencial bilionário
Embora o edital estime uma receita anual de pouco mais de R$ 51 milhões para a operação, projeções mais amplas indicam que o negócio pode atingir cifras muito superiores.
Segundo documento da Secretaria de Estado de Fazenda, o faturamento com a exploração das modalidades lotéricas pode chegar a 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Com base em dados do IBGE, que apontam um PIB de R$ 166,8 bilhões para Mato Grosso do Sul em 2022, esse percentual representaria um volume de até R$ 1,4 bilhão por ano.
O avanço da licitação e o resultado da nova Prova de Conceito da Dodmax devem ser decisivos para o futuro da Lotesul, em um processo que segue sob forte escrutínio dos órgãos de controle.






















