A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul ingressou com uma ação civil pública contra a Santa Casa de Campo Grande após constatar uma situação considerada crítica no atendimento a pacientes que aguardam cirurgias e procedimentos médicos na unidade hospitalar. Durante visitas realizadas pelo órgão, dezenas de pessoas foram encontradas internadas em cadeiras de plástico, poltronas improvisadas e macas instaladas nos corredores.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Correio do Estado, a ação foi motivada por diversas denúncias recebidas pelo Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) da Defensoria Pública. Em inspeções realizadas no hospital, a instituição identificou pacientes aguardando por tempo indeterminado a realização de cirurgias, mesmo após terem sido preparados para os procedimentos.
A coordenadora do núcleo, defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, relatou que, em uma das visitas realizadas em março, foram atendidos 49 pacientes que enfrentavam dificuldades para obter assistência médica adequada. Posteriormente, uma nova inspeção constatou que 82 pacientes aguardavam atendimento na chamada ala verde da Santa Casa, destinada a casos de menor urgência.
Desse total, 60 pacientes estavam acomodados de forma precária, em cadeiras, poltronas improvisadas e macas espalhadas pelos corredores. Entre os casos observados, havia uma paciente com fratura de fêmur aguardando cirurgia há quatro dias.
A Defensoria também verificou pacientes à espera de procedimentos em diversas especialidades, como ortopedia, cardiologia, neurologia e clínica geral. Conforme o órgão, a demora nos atendimentos estaria relacionada à subutilização da estrutura cirúrgica do hospital.
Durante uma das visitas, acompanhada por representantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, foi constatado que o complexo hospitalar possui 16 salas cirúrgicas. Destas, duas estavam em manutenção e apenas quatro em funcionamento, deixando outras dez sem utilização.
De acordo com a defensora, a Santa Casa informou que enfrentou dificuldades com anestesistas no início do ano, mas o problema já teria sido solucionado. Mesmo assim, o hospital manteve apenas quatro salas operando, situação que, segundo a Defensoria, evidencia uma capacidade ociosa que contribui para o aumento das filas de espera.
Diante da gravidade do cenário, o Poder Judiciário marcou uma audiência de conciliação para esta quinta-feira. A Defensoria busca a adoção imediata de medidas que garantam maior agilidade nos atendimentos e a criação de um fluxo eficiente para a realização das cirurgias.
Entre os pedidos apresentados na ação está a determinação para que a Santa Casa devolva à Central de Regulação os pacientes que não consegue atender dentro de prazo razoável, permitindo que sejam encaminhados para outras unidades hospitalares da rede pública.
A Defensoria argumenta que a retenção dos pacientes sem previsão de cirurgia compromete a assistência médica e agrava o quadro de saúde daqueles que aguardam atendimento.
Com informações do Correio do Estado.






















