O Banco de Brasília (BRB) vive um dos momentos mais delicados desde sua fundação. Em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, ao rombo bilionário decorrente de negócios com o Banco Master e à forte deterioração da confiança do mercado, as ações ordinárias da instituição encerraram a última sexta-feira cotadas a R$ 3,02, acumulando uma desvalorização de aproximadamente 92% em relação ao valor registrado cinco anos atrás.
A queda representa um duro golpe para os investidores. Em 2021, durante o período de maior valorização da instituição, os papéis chegaram a ser negociados por R$ 107,69, patamar que hoje parece distante diante da grave crise financeira e institucional enfrentada pelo banco.
As dificuldades do BRB ganharam força após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. A investigação conduzida pela Polícia Federal aponta que o banco adquiriu carteiras de crédito supostamente fraudulentas do Banco Master, operação que teria provocado um prejuízo estimado em R$ 8,8 bilhões. Segundo as apurações, parte dos ativos negociados não possuía lastro, comprometendo significativamente o patrimônio da instituição.
O caso também atingiu a antiga cúpula do banco. Em abril deste ano, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso preventivamente por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a quarta fase da operação. A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e organização criminosa. Os investigadores afirmam que Costa teria recebido vantagens indevidas para favorecer operações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, que também é investigado. A defesa dos envolvidos nega as acusações.
Enquanto as investigações seguem em andamento, o BRB busca alternativas para recuperar sua situação financeira. Entre as medidas discutidas está uma ampla capitalização da instituição e a criação de mecanismos para retirar do balanço parte dos ativos ligados ao Banco Master, numa tentativa de restaurar a liquidez e a confiança do mercado. Os acionistas já aprovaram um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, enquanto o banco também firmou um memorando para estruturar um fundo destinado à gestão desses ativos problemáticos.
Apesar das iniciativas, o cenário permanece cercado de incertezas. A combinação entre prejuízos bilionários, investigações criminais, mudanças na administração e forte desvalorização das ações mantém o BRB sob intensa pressão. Para analistas, a recuperação da credibilidade dependerá não apenas da recomposição financeira da instituição, mas também do desfecho das investigações e da adoção de medidas capazes de fortalecer sua governança e transparência perante investidores e clientes.



















