O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos), saiu em defesa das emendas parlamentares estaduais e afirmou que eventuais irregularidades devem ser rigorosamente investigadas e punidas, sem que isso comprometa a continuidade do instrumento utilizado para financiar obras e projetos nos municípios.
As declarações foram dadas em entrevista à Rádio CBN Cuiabá, meses após a deflagração da Operação Emenda Oculta, que apura suspeitas de direcionamento irregular de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares estaduais.
Segundo Max, os órgãos de controle precisam agir sempre que houver indícios de corrupção.
“Tudo que tiver esquema, coisa errada, tem que ser apurado. Temos um Ministério Público bastante atuante, Tribunal de Contas, Polícia Civil e órgãos de controle bastante atuantes. Onde tiver problema tem que ter operação, tem que ser punido e não podemos aceitar”, afirmou.
Na sequência, o parlamentar utilizou uma metáfora para defender a manutenção do modelo de distribuição das emendas.
“Mas não se mata a vaca porque ela tem um berne. Você cura o berne, cura o problema.”
Emendas somam R$ 28,8 milhões por deputado
Em 2026, cada um dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso dispõe de R$ 28,8 milhões em emendas parlamentares. Pela regra vigente, metade desse montante deve obrigatoriamente ser destinada à área da Saúde, enquanto os outros 50% podem ser aplicados em diversas áreas conforme indicação dos parlamentares. A execução dos recursos cabe ao Governo do Estado.
Para Max Russi, as emendas cumprem um papel complementar aos investimentos realizados pelo Executivo estadual, permitindo atender demandas específicas dos municípios que normalmente não entram na lista de prioridades das grandes obras.
“O Governo do Estado tem que pensar nas obras grandes, estruturantes. Ele não pensa em uma obra de R$ 100 mil para fazer uma piscina aquecida para alunos da APAE fazerem fisioterapia. A gente não pode, por um problema pontual, condenar todo o processo”, declarou.
Como exemplos, o presidente da Assembleia citou uma emenda de R$ 130 mil, destinada em 2018 para a construção do primeiro campo society do município de Santo Antônio do Leste, e outra de R$ 119 mil, aplicada na construção de uma piscina aquecida e vestiários para atendimento de alunos da APAE de São José dos Quatro Marcos.
População deve denunciar irregularidades
Durante a entrevista, Max também afirmou que a fiscalização sobre a aplicação dos recursos deve contar com a participação da sociedade.
Segundo ele, caso existam obras mal executadas ou suspeitas de desvios, a população deve comunicar os fatos aos órgãos responsáveis, como o Ministério Público e a Polícia Civil.
“São investimentos bem feitos. Agora, se forem mal feitos, quem tem que denunciar é a população que está acompanhando e também os órgãos de controle fazerem a fiscalização”, afirmou.
Operação Emenda Oculta
A Operação Emenda Oculta foi deflagrada em 30 de abril pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) para investigar um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares estaduais para institutos privados ligados a agentes políticos.
Entre os investigados estão o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e seu irmão, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União Brasil), que são alvos das apurações conduzidas pelos órgãos de investigação.
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer a destinação dos recursos públicos e a eventual participação dos envolvidos no suposto esquema. Até o momento, não há condenações definitivas relacionadas ao caso.






















