Secretário-geral afastado da ALE-RO é apontado como figura estratégica nos bastidores; eventual acordo de colaboração premiada é tratado como hipótese e gera apreensão no meio político
A prisão do secretário-geral da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), Rogério Gago da Silva, conhecido nos bastidores políticos como “Tigrão”, durante a Operação Reduto, da Polícia Federal, aumentou a expectativa sobre os próximos desdobramentos da investigação e alimentou especulações de que uma eventual colaboração premiada poderia atingir figuras de destaque da política estadual.
Preso por determinação do Tribunal de Justiça de Rondônia, Rogério Gago é apontado pela Polícia Federal como um dos investigados em um esquema que apura supostas fraudes em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A operação também cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Rondônia e Amazonas, afastou 11 servidores públicos e determinou o bloqueio de bens e criptoativos dos investigados.
Nos bastidores políticos de Porto Velho, cresce a avaliação de que, caso Rogério Gago decida firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades, novas informações poderão surgir sobre o funcionamento do suposto esquema investigado. Até o momento, não há confirmação de que o investigado esteja negociando ou tenha firmado qualquer acordo de delação premiada.
Por ocupar um dos cargos mais estratégicos da Assembleia Legislativa, Rogério Gago mantinha contato direto com deputados, servidores, empresários e agentes políticos, sendo considerado um dos principais articuladores administrativos da Casa. Essa posição faz com que uma eventual colaboração seja vista por analistas políticos como capaz de ampliar significativamente o alcance das investigações.
Operação investiga contratos e suposta “rachadinha”
Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram em 2024 após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de investigados ligados a uma empresa sediada em Manaus que mantinha contratos públicos em Rondônia.
A PF afirma que o grupo atuaria em duas frentes:
- suposto direcionamento de licitações e contratos públicos no município de Ariquemes;
- desvio de recursos públicos por meio de depósitos em contas de servidores comissionados da Assembleia Legislativa, prática investigada como “rachadinha”.
As movimentações financeiras investigadas ultrapassariam R$ 9 milhões.
Bastidores sob tensão
A operação atingiu diretamente o núcleo administrativo da Assembleia Legislativa e colocou sob pressão o presidente da Casa, deputado estadual Alex Redano (Republicanos), também alvo das investigações. O clima entre parlamentares e servidores é de cautela, diante da possibilidade de novos desdobramentos.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a investigação teria reunido elementos como interceptações telefônicas e outros meios de obtenção de prova autorizados pela Justiça. No entanto, o conteúdo dessas diligências permanece sob sigilo e não foi divulgado oficialmente pela Polícia Federal.
Defesa
A defesa de Rogério Gago informou que confia no Poder Judiciário e reafirmou a presunção de inocência do secretário-geral. Os advogados também destacaram que não foram apreendidos materiais ilícitos durante o cumprimento das medidas judiciais.
Já a Assembleia Legislativa de Rondônia informou, em nota, que mantém mecanismos de controle interno, fiscalização e governança, ressaltando que seus processos licitatórios são públicos e disponíveis no Portal da Transparência. A Casa, contudo, não comentou especificamente a prisão do secretário-geral.
Até o momento, não existe confirmação oficial de qualquer negociação de acordo de colaboração premiada envolvendo Rogério Gago da Silva. A possibilidade de uma delação é tratada apenas como hipótese nos meios políticos e não foi confirmada pela defesa, pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público.























