Empresário Heyder Bartz, único foragido da operação, é citado pelo Ministério Público como integrante do núcleo que comandaria a estrutura da Editora Avante; defesa nega participação em organização criminosa.
O empresário Heyder Bartz, apontado como o único foragido da Operação Gutenberg, também tem um histórico de atuação no mercado de publicidade, onde foi proprietário de uma agência que, ao longo dos anos, manteve contratos milionários com órgãos públicos em Mato Grosso do Sul.
Agora, segundo investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Heyder é apontado como uma das principais figuras do suposto esquema criminoso envolvendo contratos para fornecimento de livros paradidáticos a prefeituras sul-mato-grossenses por meio da Editora Avante.
De acordo com o pedido de prisão preventiva, o empresário integra, ao lado da dentista Rossana Paroschi Jafar e do empresário Francisco Anizio dos Santos, o núcleo que teria exercido controle administrativo e financeiro da editora, embora nem todos figurassem formalmente na composição societária da empresa.
Agência de publicidade teve contratos milionários
Antes de aparecer no centro das investigações da Operação Gutenberg, Heyder Bartz ficou conhecido no mercado de comunicação por comandar uma agência de publicidade que celebrou contratos milionários com diversos órgãos públicos, prestando serviços de comunicação institucional, campanhas publicitárias e marketing governamental.
A atuação da empresa junto ao poder público conferiu ao empresário ampla experiência no relacionamento com administrações municipais e outros entes governamentais, cenário que agora passa a integrar o contexto analisado pelas investigações conduzidas pelo Ministério Público.
Embora os contratos de publicidade não sejam objeto direto da Operação Gutenberg, o histórico empresarial de Heyder reforça sua influência no setor de comunicação e marketing.
Gaeco aponta influência sobre a Editora Avante
Segundo o relatório do Gaeco, Heyder exercia um papel muito superior ao de simples fornecedor de serviços.
As investigações apontam que ele participava da gestão informal da Editora Avante, orientava integrantes da empresa, definia pagamentos e acompanhava a distribuição dos recursos recebidos após contratos firmados com prefeituras.
Mensagens obtidas mediante quebra de sigilo telemático mostram que, após pagamentos efetuados por municípios à editora, Heyder enviava orientações para que fossem realizados repasses financeiros.
Um dos episódios destacados ocorreu após a Prefeitura de Ladário efetuar pagamento de aproximadamente R$ 459 mil à Editora Avante. No dia seguinte, conversas em um grupo de WhatsApp mostram um contato identificado como “Heyder” instruindo a responsável formal pela empresa sobre pagamentos relacionados ao contrato.
Superconteúdo recebeu mais de R$ 455 mil
O Gaeco também identificou que a empresa Superconteúdo Digital, pertencente a Heyder Bartz, recebeu R$ 455.593,05 da Editora Avante durante o período investigado.
Conforme o relatório, a empresa figura entre os maiores destinatários de transferências realizadas pela editora.
Em outro exemplo citado na investigação, após a Prefeitura de Bonito pagar R$ 818.958,50 à Avante, uma lista de pagamentos encaminhada internamente previa transferências de:
- R$ 47.103,34 para Rossana Paroschi Jafar;
- R$ 75.661,27 para a Superconteúdo Digital;
- R$ 459,90 para outra conta vinculada à empresa de Heyder.
O Ministério Público ressalta que não afirma que todas as transferências para a Superconteúdo sejam ilícitas. A suspeita decorre do conjunto de elementos reunidos durante a investigação, como a sequência dos pagamentos públicos, mensagens internas, movimentações financeiras e a suposta atuação de pessoas sem vínculo formal na administração da editora.
Único foragido da Operação Gutenberg
Heyder Bartz permanece como o único investigado com mandado de prisão preventiva ainda não cumprido entre os 16 alvos da Operação Gutenberg.
Para o Ministério Público, ele teve atuação considerada “decisiva” para o funcionamento do suposto esquema investigado.
Defesa nega acusações
Em nota, a defesa de Heyder Bartz informou que possui “plena convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no decorrer do processo”.
A advogada Beatriz Navarini afirmou que o empresário “jamais ocupou posição de liderança em qualquer organização criminosa, tampouco participou de decisões relacionadas à celebração de contratos”, sustentando que sua atuação restringiu-se à execução técnica dos projetos posteriormente contratados.
As investigações prosseguem com a análise dos sigilos bancário, fiscal e telemático autorizados pela Justiça para aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira dos investigados e a eventual destinação dos recursos provenientes dos contratos públicos.
Nota da defesa
A defesa de Heyder Bartz informa que possui plena convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no decorrer do processo.
Heyder jamais ocupou posição de liderança em qualquer organização criminosa, tampouco de qualquer decisão relacionada à sua celebração, tendo atuado exclusivamente na execução técnica dos projetos posteriormente contratados, o que será devidamente comprovado no curso da instrução processual.
Por respeito ao devido processo legal e à própria investigação, a defesa não fará maiores comentários neste momento, mas reafirma sua confiança de que a verdade dos fatos prevalecerá.
BEATRIZ PONTES NAVARINI
OAB/MS 24.169





















