Em mais uma manobra que fortalece sua base política, o prefeito Abílio Brunini (PL) aprovou a criação de mais de 120 cargos comissionados na Secretaria Municipal de Economia, além de outras modificações que inflaram ainda mais a estrutura administrativa da Prefeitura de Cuiabá. A reestruturação, que tem como alvo áreas como planejamento tributário, arrecadação, contabilidade e tecnologia da informação, é uma clara tentativa de aumentar o controle sobre setores estratégicos e de ampliar as nomeações políticas no município.
Por meio do Decreto 11.522/2025, a mudança estrutural não se limitou a uma simples readequação. Ela instituiu novos níveis hierárquicos e criou departamentos e funções de direção e coordenação, o que gerou um aumento significativo de secretários adjuntos e cargos estratégicos. A expansão da máquina pública também se reflete em mais contratações de assessores, diretores e gerentes, todas elas em cargos comissionados, sem necessidade de concurso público ou transparência no processo seletivo.
O movimento se repete na Controladoria-Geral do Município, responsável por fiscalizar e corrigir irregularidades nas gestões públicas. Por meio de novas coordenações e direções, o órgão passa a contar com um número ainda maior de servidores comissionados, enfraquecendo a já fragilizada independência da fiscalização.
Aumento de Custos em Tempos de Crise
Em um contexto de crise fiscal que já afeta os serviços essenciais, a prefeitura segue em uma direção oposta ao que seria esperado. A criação de novos cargos, além de gerar um inchaço na folha de pagamento, vai aumentar ainda mais os custos operacionais da administração municipal. A população, que sofre com a escassez de serviços como saúde, educação e infraestrutura, se vê refém de uma gestão que prioriza a manutenção de um esquema político sobre a eficiência administrativa.
Até o momento, o Executivo municipal não divulgou o impacto financeiro dessas mudanças ou esclareceu como o aumento da máquina pública será justificado diante do déficit orçamentário que vem se arrastando há anos. Não há respostas claras sobre como a criação desses cargos contribuirá para a melhoria de serviços essenciais ou se haverá, de fato, qualquer ganho de eficiência.
Apadrinhamento Eleitoral
As críticas à medida são contundentes, principalmente entre líderes da oposição e analistas políticos, que veem a reestruturação como uma tentativa de fortalecer a base eleitoral do prefeito Abílio Brunini. A nomeação de aliados políticos para cargos estratégicos dentro da máquina pública fortalece o poder de barganha e, ao mesmo tempo, compromete a transparência e a meritocracia nas gestões subsequentes. A falta de concursos públicos e a ampla concentração de poder nas mãos de poucos geram um cenário de “apadrinhamento eleitoral”, onde a política é mais importante do que a competência técnica na gestão pública.
Enquanto a cidade enfrenta desafios sérios em áreas prioritárias, como saúde e educação, a maior parte dos recursos municipais parece ser canalizada para alimentar uma estrutura que visa atender interesses políticos pessoais e partidários, em detrimento de políticas públicas eficientes.
Com a ampliação da máquina pública, o prefeito Abílio Brunini busca, claramente, fortalecer sua base política e garantir apoio para projetos futuros. No entanto, a grande questão é: quem realmente ganha com essa reestruturação? A população cuiabana, que paga impostos altíssimos e que ainda sofre com os reflexos de uma gestão fiscalmente irresponsável, parece ser mais uma vez deixada em segundo plano. A falta de uma justificativa convincente sobre os custos dessas mudanças levanta sérias dúvidas sobre a real necessidade desses novos cargos.
Em um cenário de escassez de recursos e cortes em serviços essenciais, a população de Cuiabá se vê mais uma vez no centro de um jogo político que favorece a classe política em detrimento do bem-estar coletivo. É preciso questionar até que ponto essas decisões realmente buscam o bem público e não apenas o fortalecimento de uma máquina pública que se alimenta do apadrinhamento político.
A cidade precisa de uma gestão mais eficiente, menos voltada para o clientelismo e mais comprometida com os reais problemas da população. Enquanto isso não acontece, fica a sensação de que a prioridade não está nas necessidades da população, mas sim nas conveniências políticas do momento.
























