Cuiabá dos privilégios

Brunini adota prática criticada no passado e nomeia filha de vereador para cargo na Saúde

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, oficializou a nomeação de Kamilla Bezerra Cabral, filha do vereador Adevair Cabral, para o cargo comissionado de Coordenadora Técnica de Assistência na Secretaria Municipal de Saúde, função enquadrada no nível GDA-7. A nomeação reacendeu críticas sobre a utilização de cargos públicos para ampliar a base de apoio político na Câmara Municipal.

A decisão chama atenção por contrariar o discurso que marcou a trajetória política de Abilio. Durante anos, quando exercia mandato de vereador e fazia oposição ao ex-prefeito Emanuel Pinheiro, Brunini criticou duramente a distribuição de cargos comissionados a aliados políticos, classificando esse tipo de prática como fisiologismo e loteamento da máquina pública.

Agora, já no comando do Palácio Alencastro, a nomeação da filha de um vereador aliado é interpretada por críticos como um movimento para fortalecer a sustentação política da administração municipal no Legislativo. A medida alimenta questionamentos sobre a coerência entre o discurso adotado por Abilio ao longo de sua carreira e as decisões tomadas à frente da Prefeitura.

A aproximação política entre Brunini e Adevair Cabral também chama atenção. No período em que ambos atuavam na Câmara Municipal, Abilio direcionava críticas frequentes ao vereador, acusando-o de integrar a base governista em troca de espaços na administração pública. Os embates entre os dois eram constantes e marcados por acusações públicas sobre a ocupação de cargos comissionados.

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Com a nomeação de Kamilla Bezerra Cabral para uma função estratégica na Secretaria Municipal de Saúde, antigos adversários passaram a dividir o mesmo campo político, evidenciando uma mudança de postura que tem gerado repercussão nos bastidores da política cuiabana.

Para opositores e analistas políticos, o episódio reforça a percepção de que a necessidade de construir maioria na Câmara levou a atual gestão a recorrer a mecanismos semelhantes aos que eram alvo de críticas no passado. A situação levanta debates sobre os limites entre articulação política legítima e o uso de cargos de livre nomeação como instrumento de acomodação de aliados.

Até o momento, a Prefeitura de Cuiabá não divulgou manifestação específica sobre as críticas envolvendo a nomeação. Caso haja posicionamento oficial do Executivo ou do vereador Adevair Cabral, a matéria poderá ser atualizada para incluir as respectivas versões, em respeito ao princípio do contraditório.

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