A demora de processo administrativo para retirar servidores públicos, em especial a polícias militares, demora, mais tem demorado ainda mais nas administrações do ex-governador Reinaldo Azambuja e do atual governo de Eduardo Riedel, principalmente se levando em conta, crime policiais com comprovações e condenações em curso. Assim, já ocorreu com outros casos e mostra situação de últimos processos divulgados, nesta sexta-feira (7), que após seis anos, pms presos, foram excluídos dos quadros da PM-MS (Policia Militar de MS).
Finalmente hoje, os policiais militares cabo Rafael Leguiça Flores e o segundo sargento Wilgruber Valle Petzold foram excluídos da corporação, após serem presos em 2019 e terem condenação em 2020, por envolvimento com a grande máfia dos cigarreiros. Na época, a dupla também foi condenada por peculato e falsidade ideológica.
De acordo com as portarias assinadas por Riedel, e, publicadas hoje, no DOE (Diário Oficial do Estado), Leguiça e Wilgruber foram excluídos a bem de disciplina, tendo em vista a declaração de incapacidade moral proferida na Solução do Conselho de Disciplina instaurado pela Portaria n.° 005/CD/CORREG/PMMS/2020, de 25/08/2020. Pela data, vemos que passou dos cinco anos, a Solução dada pelo Conselho, mas somente agora o governo de Riedel finaliza processo.
A descoberta e início de decadência dos policiais, teve começo com a Operação Trunk, desencadeada em 31 de julho de 2019. Na época, foi revelado que ambos os policiais estavam envolvidos em esquemas de contrabando por aceitarem propina para liberarem as mercadorias aos criminosos. Grupo de pelo menos quatro policiais foi alvo de investigações da Polícia Federal, Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Corregedoria da Polícia Militar.
O Caso criminoso
Em 2019, o policial Maurício Gonçalves Brandão foi detido após a PF descobrir que ele havia cobrado R$ 200 mil para liberar uma carga de cigarros em 31 de outubro de 2018, agindo em conjunto com Wilgruber Valle Ptzold, Rafael Preza da Silva e Rafael Leguiça Flores.
Já em novembro daquele mesmo ano, o grupo teria interceptado uma carga de essência de narguilé e liberado o motorista, informando no boletim de ocorrência que ele teria fugido.
Em 23 de fevereiro de 2019, o mesmo grupo apreendeu uma carga de brinquedos e artigos de pesca, levados por um motorista sem a documentação necessária. Não foi feito boletim de ocorrência e o grupo se apropriou dos bens.
Em 12 de março de 2019, os mesmos militares também forjaram uma fuga de dois criminosos, o que mais tarde resultou no cumprimento de 52 mandados pelo Gaeco, na Operação Piromania.
Esquema continuou
Mesmo após a prisão de Maurício em julho, o MPMS apontou que em 4 de setembro do mesmo ano, Wilgruper e Rafael Leguiça, acompanhados ainda de um terceiro militar, detiveram uma carga na BR-060. O motorista transportava aparelhos eletrônicos sem nota fiscal e teve a carga apreendida sem que boletim de ocorrência fosse elaborado.
O homem desconfiou e procurou a Corregedoria da Polícia Militar, o que acabou também resultando em uma operação em 26 de setembro de 2019, pela própria Polícia Militar. A Operação Ave Maria prendeu seis militares que estariam envolvidos nos esquemas de corrupção, interceptação das cargas e recebimento de propinas.
Pelo envolvimento com criminosos do PCC (Primeiro Comando da Capital) que, segundo relatório da Operação Piromania, faziam um esquema de troca de veículos roubados por droga no Paraguai e depois vendiam o entorpecente, os policias tiveram as prisões temporárias convertidas em prisão preventiva.
Já pelos outros crimes denunciados pelo MPMS, o juiz condenou os quatro militares, além de Diego de Souza Nantes e Warlei Anderson Santos (que também participaram dos esquemas de corrupção). Os réus foram interrogados em 23 de janeiro e negaram a prática de todos os crimes.
O Conselho de Justiça Militar decidiu, então, em maio de 2020, pela condenação de Wilgruber, Warlei e Rafael Leguiça por peculato e falsidade ideológica. No âmbito da Piromania, Wilgruber, Rafael Leguiça, Diego de Souza, Maurício Gonçalves e Rafael Preza se tornaram réus.





















