A decisão da Cassems de elevar de R$ 35 para R$ 450 a contribuição dos cônjuges provocou forte reação da Abecams (Associação dos Beneficiários da Cassems), que classificou a medida como “gestão temerária” e “abuso de confiança” contra milhares de famílias de servidores públicos de Mato Grosso do Sul.
A entidade encaminhou uma proposta oficial à Cassems, ao Governo do Estado, à Assembleia Legislativa e à Assomasul para tentar barrar o reajuste considerado “absurdo” e evitar um impacto devastador no orçamento de cerca de 42 mil beneficiários.
O aumento de 1.185% começará a valer já em junho e tem gerado revolta entre servidores, aposentados e pensionistas, que acusam a direção do plano de transferir aos usuários o peso de uma crise financeira acumulada ao longo dos anos.
Segundo o presidente da Abecams, Jeder Fabiano da Silva Bruno, a entidade reconhece dificuldades no caixa da operadora, mas afirma que a solução encontrada penaliza justamente quem mais depende do plano.
“A cobrança imposta aos cônjuges é desumana e incompatível com a realidade financeira dos servidores”, sustenta a associação no documento.
A proposta apresentada pela Abecams prevê aumento na contribuição patronal do Governo do Estado, que passaria para 7%, além de acréscimo de 1% nas contribuições dos servidores estaduais e municipais. Em contrapartida, a entidade cobra uma ampla revisão administrativa dentro da Cassems.
Entre as medidas sugeridas estão:
- corte integral de patrocínios e eventos festivos;
- redução de gastos com publicidade, programas de TV, rádio e mídia digital;
- auditoria e fiscalização pela Assembleia Legislativa;
- revisão dos contratos terceirizados, que, segundo a associação, tiveram aumento de 234%.
A Abecams afirma que, com essas mudanças, a Cassems poderia gerar superávit anual de R$ 25 milhões sem impor um reajuste considerado “confiscatório” aos cônjuges.
O episódio ampliou as críticas sobre a gestão financeira da Caixa dos Servidores e abriu pressão política sobre o Governo do Estado e parlamentares, que agora passam a ser cobrados para intervir na crise.
Por outro lado, o presidente da Cassems, Ricardo Ayache, defende a necessidade da medida e argumenta que atualmente os cônjuges arrecadam apenas R$ 61 milhões por ano, enquanto os custos assistenciais desse grupo chegam a R$ 250 milhões anuais — um déficit de R$ 189 milhões.
Mesmo assim, a justificativa não convenceu parte dos beneficiários, que acusam a administração de tentar “tampar rombos” às custas dos servidores, sem transparência total sobre despesas administrativas, contratos e crescimento dos gastos internos.
Nos bastidores, o temor é de uma debandada em massa de usuários e aumento da judicialização caso o reajuste seja mantido nos moldes anunciados.






















