Governador, ex-governador e senador, ambos candidatos em 2026, treinam como explicar aos eleitores o que é ser democrata, humano e patriota no “jeito de ser bolsonarista”
Neste domingo, 21, o ex-governador Reinaldo Azambuja oficializa sua filiação ao PL, atendendo ao convite feito por Jair Bolsonaro durante a campanha da sucessão campo-grandense em 2024. Presidente de honra do partido, o ex-mandatário brasileiro está inelegível até 2032 e terá que cumprir uma condenação a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de estado. Por isto, a filiação de lideranças regionais é vital ao bolsonarismo para reforçar a musculatura do PL na sucessão presidencial em 2026.
Assinar a ficha do PL – do qual Bolsonaro é presidente de honra – implica seguir fielmente a liturgia do chamado “jeito de ser bolsonarista”, incorporando, expressando e disseminando discursos e conceitos que o ex-mandatário plantou em sua trajetória, especialmente quando chefiou o governo brasileiro. Para ser reconhecido como bolsonarista não basta ser de direita, de centro-direita ou conservador – é essencial ter a coragem ou a desenvoltura para ser o que ele representa.
Azambuja já demonstrou que não terá problema algum em ser um bolsonarista juramentado. Além de ser prestigiado em sua filiação com as presenças de lideranças do PL, PP, Republicanos e PSD, entre outros, todos na conta de apoiadores do ex-mandatário brasileiro. Azambuja terá a companhia de nomes expressivos da direita e extrema-direita. São deste bloco a senadora Tereza Cristina, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, e a prefeita Adriane Lopes, do PP; o senador Nelsinho Trad e o deputado estadual Pedrossian Neto.

PRÓS E CONTRAS – Se de um lado a força eleitoral de Bolsonaro é o motivo imperioso para as recentes adesões ao seu exército em Mato Grosso do Sul, de outro lado desenha-se um desconforto de imprevisíveis desdobramentos para os que se abrigam neste guarda-chuva focalizando as respostas das urnas. Riedel e Trad são pré-candidatos à reeleição e Azambuja disputará uma das vagas do Senado. Este é, politicamente, o mais coroado trio da direita local, que vai encarar os prós e contras de um vínculo nada confortável diante de eleitores minimamente exigentes quando a valores humanistas, cívicos, éticos e cristãos.
Se já pensou ou não que a política é uma moeda de duas faces, esse trio terá uma prova das mais duras até o ano eleitoral. Serão aquilo que o seu líder maior representa em acertos e erros. Estes, não são poucos e têm históricos desmoralizantes. Antes, durante e depois de ser presidente, Jair Bolsonaro esmerou-se nos discursos e atitudes infelizes, deseducadas, mórnidas, inclusive. Transitou pelos esgotos do ódio e do precconceito, de maneira recorrente, demonstrando prazer em fazer o papel do “político corajoso que não tem medo de combater a corrupção e de falar o que quiser”.
Assim, o Bolsonaro que estará reproduzido nas imagens, discursos e ações de Riedel, Azambuja e Nelsinho será sempre a soma do líder que seduziu multidões com seu carisma bizarro e o homem que desprezou os mais elementares princípios de convivência humana civilizada, saudável. É possível que o trio de pré-candidatos esteja preparado, pronto para ir aos debates e responder à altura, com argumentos consistentes, o ataque dos rivais. Contudo, contra fatos não há argumentos – e, conforme a sua descrição, há questionamentos que tornam os questionados prisioneiros de mantras vulneráveis e manjados.
Por exemplo: como Azambuja, Riedel e Nelsinho, todos com altas taxas de intenção de voto e de aprovação aos desempenhopolítico ou de gestão, vão responder a quem lhes perguntar se concordam que a vacina contra a Covid faz a pessoa virar jacaré, se debochar de gente agonizando com falta de ar é uma brincadeirinha, que a doença é uma gripezinha que não afeta quem tem perfil de atleta.
Como Azambuja, Riedel e Nelsinho vão responder ao adversário ou repórter que pedirem as suas opiniões sobre estar em um partido cujo líder máximo considera sua única filha mulher fruto de uma fraquejada sexual; desfila como defensor da família acumulando três casamentos; arvora-se exemplo de patriota prestando continência à bandeira de outro país; se diz cristão propagando acesso geral às armas, apregoando uso de fuzil para “fuzilar os petralhas”, celebrando a memória de um torturador, o coronel Ustra; pesando pessoas negras por arroba; selecionando só as mulheres que merecem para estuprá-las; beneficiando-se das fake news como recursos político-eleitorais.
MANCHA – Como se pode constatar, há outros fatos e retóricas de Bolsonaro que mancham a aura de um conservadorismo que poderia ser exercido com grandeza, honestidade e princípios necessários e defensáveis em seu conteúdo. Entretanto, a falta de argumentos eficazes e de sensatez fazem do bolsonarismo um contraponto muito amargo e obscuro na democracia, rebaixando-a, relativizando-a e ajustando-a, desavergonhadamente, aos seus próprios valores e critérios.
Assim, Riedel, Azambuja e Nelsinho podem até coinfirmar o seu favoritismo nas urnas. Mas, terão sua trajetória pessoal e o seu currículo político maculado por decisões cujos impactos negativos a História está registrando. E a História – não a contada pelo interesse de cada um -, mas a História destituída de colorações ideológicas, é implacável. E assim será. Desde que o mundo é mundo.




















