CÂMARA MUNICIPAL

Câmara adia enfrentamento e Papy é alvo de críticas por recuo diante da taxa do lixo

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A decisão da Câmara Municipal de Campo Grande de empurrar para depois do recesso a análise do veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto que suspendia o aumento da taxa do lixo expôs mais do que um impasse legislativo: escancarou a postura vacilante do presidente da Casa, vereador Papy (PSDB), duramente criticado por parlamentares e por setores da sociedade por optar pela conveniência política em detrimento do interesse do contribuinte.

Embora a Câmara tenha demonstrado força ao derrubar, por unanimidade, o decreto do Executivo que vinculava a taxa do lixo ao IPTU, Papy tratou de esvaziar o impacto da própria decisão ao descartar, de antemão, a convocação de uma nova sessão extraordinária para analisar o veto. A justificativa  a suposta inexistência de maioria e o receio de “indisposição” com o IPTU soa, para críticos, como um recuo calculado e uma tentativa de encerrar o debate sem resolver o problema central: o aumento da cobrança.

Ao afirmar que a Casa “já deu uma resposta à população”, Papy minimiza a insatisfação popular e ignora que a resposta efetiva seria enfrentar o veto e decidir, de forma transparente, se o aumento da taxa do lixo deve ou não permanecer. A postura reforça a percepção de que o presidente da Câmara prefere administrar o conflito político a cumprir o papel fiscalizador do Legislativo, mesmo quando há consenso prévio entre os vereadores.

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Mais grave ainda é o argumento de que a Câmara evita discutir o tema para não estimular a rejeição ao IPTU. Para especialistas e lideranças comunitárias, trata-se de uma inversão de prioridades: em vez de proteger o contribuinte de cobranças questionadas, a presidência da Casa parece preocupada em preservar a arrecadação e evitar desgaste com o Executivo.

Papy, que comanda uma Câmara que se diz independente, termina o episódio sob críticas por liderar um Legislativo que fala grosso em sessões extraordinárias, mas afina quando chega a hora de sustentar a decisão até o fim. O adiamento da análise do veto não apenas prolonga a insegurança do contribuinte como reforça a imagem de um Parlamento que recua diante da pressão política  com o aval de seu presidente.

Com a retomada dos trabalhos marcada para 2 de fevereiro, a expectativa é de que a Câmara seja cobrada a transformar discursos em ação. Até lá, Papy carrega o ônus de ser visto como o fiador de um adiamento que, para muitos, representa omissão.

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