Em 2025, quando o orçamento de Campo Grande era de R$ 6,87 bilhões, a Câmara de Vereadores de Campo Grande devorou uma gorda fatia de R$ 128 milhões, correspondente ao seu duodécimo. Já no atual exercício, com o orçamento do Executivo municipal em R$ 6,97 bilhões, o duodécimo do Legislativo também aumentou, e está dando aos nobres parlamentares um caixa suficiente para realizarem ações importantes em favor da sociedade, principalmente no que concerne ao cumprimento das promessas feitas aos eleitores.
Mas a realidade é outra, bem diferente, se forem consideradas as opiniões dos campograndenses sobre seus representantes, com números das pesquisas de avaliação, além de alguns fatos que demonstram como os mandatos são craques em matérias de grande interesse da população, como empreguismo, favorecimento de amigos e gastança de duodécimo. Muitas denúncias de empreguismo envolvem diversos edis da Cidade Morena, atingindo inclusive a Mesa Diretora do Legislativo.
O presidente da Câmara Municipal, Papy, que é líder evangélico, virou notícia quando se descobriu sua proeza familiar ao encaixar a própria irmã num cargo de alto escalão da administração municipal. Outros colegas não tiveram inveja dele porque conseguiram a mesma proeza, garantindo contracheques do poder público para familiares e amigos, geralmente cabos eleitorais.
Além disso, os vereadores da base governista, que são liderados por Papy e deveriam dar firme sustentação à prefeita Adriane Lopes, deixaram estourar diversas bombas no colo dela, que ficou praticamente sozinha contra ataques do adversário e principalmente do fogo amigo. A gestora, corajosamente, assumiu a difícil e desafiadora responsabilidade de adotar medidas drásticas para adaptar as finanças à crise provocada pela queda de receitas e o acúmulo de encargos que herdou.
Mas ficou sozinha neste sacrifício, porque sua base de vereadores preferiu a posição mais cômoda que é jogar para a plateia, fingindo que dá sustentação à prefeita e ao mesmo tempo fingindo também que está ao lado das reclamações do povo. Poderiam usar sua visibilidade e as suas vozes para explicar a situação à sociedade, argumentar com números o momento complexo que a administração está enfrentando e, ainda assim, logrando êxito no esforço de garantir a prestação dos serviços e obras essenciais, além de manter os compromissos inadiáveis.
NEM NA DOBRADINHA – Por estas e outras os parlamentares campograndenses já enfrentam uma rejeição cada vez maior da opinião pública, especialmente aqueles que pretendem disputar cargos eletivos em outubro próximo, a maioria para deputado estadual. Uma das dificuldades que estão encontrando é articular a chamada “dobradinha” com candidatos a deputado federal, por causa do alto índice de rejeição. Se o cenário continuar como está, certos vereadores não serão nem convidados para servirem de cabos eleitorais, sob a pecha de serem perdedores de voto.
Nas pesquisas, uma delas foi suficiente para fotografar o sofrível patamar de reprovação dos vereadores de Campo Grande. O instituto Ranking Brasil fez uma consulta em dezembro de 2025 ouvindo 1.000 eleitores nas sete regiões urbanas e distritos de Anhandui, Rochedinho e zona rural, com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. A constatação diz tudo, é implacável: metade dos entrevistados (50%) desaprova o desempenho da Câmara Municipal.




















