Distrito Federal

Déficit do Iprev-DF explode e gestão Ibaneis empurra crise previdenciária para o contribuinte

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Gestão Ibaneis adia soluções, amplia o rombo previdenciário e empurra a conta para o contribuinte do DF

Com aportes recorrentes do Tesouro, decisões adiadas e investimentos questionáveis, gestão Ibaneis amplia rombo previdenciário e transfere o custo da crise para o contribuinte do DF

A previdência dos servidores do Distrito Federal entrou em rota acelerada de colapso. O Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF) projeta um déficit de R$ 2,1 bilhões em 2026, escancarando um problema que, longe de ser conjuntural, se agravou sob a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB), marcada por adiamentos, escolhas de alto risco e dependência crescente de aportes do Tesouro.

Documentos internos do próprio instituto alertam que novos aportes financeiros serão inevitáveis para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões. Na prática, o Iprev já não se sustenta — e quem cobre o rombo é o contribuinte do DF.

A conta chegou — e o governo já não esconde

Em 2025, o déficit atingiu R$ 956 milhões. Para fechar as contas, o governo Ibaneis recorreu a uma combinação de medidas emergenciais: R$ 574,5 milhões do Fundo Solidário Garantidor, R$ 194,8 milhões em impostos e R$ 187 milhões do próprio caixa do Iprev. O modelo se repete: recursos extraordinários substituem soluções estruturais.

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Mesmo diante desse cenário, o governo seguiu ampliando despesas permanentes. O reajuste salarial de 6% concedido em julho de 2025, com forte impacto previdenciário, aumentou a pressão sobre um sistema já deficitário, sem que houvesse um plano claro de compensação atuarial.

Decisão do TCU vira álibi político

A gestão Ibaneis tenta atribuir parte da crise à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que proibiu o uso do Fundo Constitucional do DF (FCDF) para pagar aposentados da saúde e educação que se aposentaram após 2019. O efeito foi imediato: o Iprev passou a bancar, com recursos próprios, uma segunda folha de inativos.

O governador anunciou que pretende judicializar o tema no Supremo Tribunal Federal (STF). Críticos veem a iniciativa como uma tentativa de transferir a responsabilidade ao Judiciário, ignorando o fato de que a dependência do FCDF sempre foi uma solução frágil e temporária — conhecida e tolerada pela atual gestão.

Investimentos ruins e escolhas políticas

Outro ponto sensível envolve a política de investimentos do Iprev, diretamente vinculada às decisões do Executivo. As ações do Banco de Brasília (BRB) transferidas ao instituto como compensação por perdas passadas se desvalorizaram fortemente, hoje avaliadas em cerca de R$ 406,5 milhões, bem abaixo dos R$ 531,4 milhões iniciais.

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A tentativa do BRB, banco controlado pelo GDF, de adquirir o Banco Master agravou a percepção de risco e aprofundou as perdas. Estimativas indicam que, se os recursos tivessem sido aplicados em renda fixa, o patrimônio poderia superar R$ 1 bilhão — um prejuízo indireto superior a R$ 470 milhões, resultado de decisões políticas, não técnicas.

Reforma prometida, mas sempre adiada

Ibaneis Rocha reconhece a gravidade do déficit previdenciário, mas admite que uma reforma da previdência local só será debatida após as eleições. A postura reforça críticas de que o governo opta por adiar medidas impopulares, enquanto o passivo cresce silenciosamente.

O resultado é um sistema cada vez mais dependente de aportes públicos, sem horizonte de sustentabilidade. Sob a gestão Ibaneis, a previdência dos servidores deixou de ser um problema latente e se tornou uma crise fiscal explícita, com impacto direto nas contas do DF e no bolso da população.

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