O ex-vereador de Laguna Carapã, Inácio da Silva Espíndola, um dos 17 denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul na Operação Gutenberg, foi exonerado do cargo comissionado que ocupava na Casa Civil do Governo do Estado. A exoneração foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (30).
De acordo com informações do Portal da Transparência do Governo de Mato Grosso do Sul, Inácio exercia a função de assessor especial desde 2015. O último salário registrado era de R$ 16.836,63.
Produtor rural, Inácio Espíndola teve trajetória política em Laguna Carapã, município localizado na região de fronteira com o Paraguai, a cerca de 280 quilômetros de Campo Grande. Ele foi vereador por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012, e disputou a Prefeitura em 2012, terminando a eleição em segundo lugar, com aproximadamente 40% dos votos válidos.
Denúncia por esquema de R$ 27 milhões
A exoneração ocorre poucos dias após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apresentar denúncia contra 17 investigados por integrarem um suposto esquema de desvio de recursos públicos estimado em R$ 27 milhões, envolvendo contratos firmados entre prefeituras de Mato Grosso do Sul e a Editora Avante.
Além da condenação dos envolvidos, o Ministério Público requereu o ressarcimento integral dos prejuízos causados aos cofres públicos. A denúncia ainda aguarda análise da Justiça.
A investigação teve início em 2023 e resultou na deflagração da Operação Gutenberg em 7 de julho de 2026. Na ocasião, foram expedidos 16 mandados de prisão, dos quais 15 foram cumpridos e um permanece pendente.
Contratos sob suspeita
Segundo o Gaeco, a Editora Avante, inscrita no CNPJ nº 44.284.055/0001-46, firmou contrato de aproximadamente R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda pouco tempo após sua criação, mesmo possuindo capital social de apenas R$ 40 mil e sede em São Bernardo do Campo (SP).
Com a quebra dos sigilos fiscal e telemático dos investigados, os promotores identificaram que ao menos 17 prefeituras sul-mato-grossenses mantiveram contratos considerados suspeitos com a empresa.
As investigações apontam que o grupo utilizava a estrutura da regulação estadual de saúde para pressionar gestores municipais. Conforme a denúncia, a liberação de consultas, exames e procedimentos médicos teria sido usada como instrumento de pressão para que prefeitos adquirissem livros da Editora Avante, empresa que, segundo o Ministério Público, seria controlada pela família Jafar.
O caso segue em tramitação no Poder Judiciário, que decidirá se recebe a denúncia e transforma os investigados em réus na ação penal. Enquanto isso, os desdobramentos da Operação Gutenberg continuam produzindo efeitos na esfera administrativa, como a exoneração de servidores públicos ligados aos investigados.






















