Allex Della deveria se manifestar antes de audiências marcadas para fevereiro e março; defesa nega acusações
A Justiça Federal não conseguiu intimar o secretário municipal de Saúde de Ladário, Allex Prado Della, em uma ação penal na qual ele figura como réu por lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas. Sem a localização do acusado, há possibilidade de que ele venha a ser julgado à revelia, isto é, sem apresentação de contestação ou defesa prévia.
Audiências de instrução e julgamento estão previstas para os dias 24 e 25 de fevereiro e 10, 11, 12, 17, 18 e 19 de março, quando deverão ser ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além dos próprios réus. As testemunhas indicadas pela defesa de Della devem depor em 11 de março, enquanto o comparecimento do secretário está previsto para 18 de março. As sessões serão presenciais, com possibilidade de participação por videoconferência.
Em nota, Allex Della afirmou ter conhecimento do processo nº 5005225-35.2020.4.03.6000, negou “veementemente” as acusações e declarou confiar que os fatos serão esclarecidos no âmbito do devido processo legal, com garantia do contraditório e da ampla defesa. O secretário também sustentou que a ação judicial não interfere no funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde. Por orientação jurídica, eventuais esclarecimentos adicionais serão apresentados apenas nos autos do processo.
O prefeito de Ladário, Munir Sadeq Ramunieh, informou, também por meio de nota, que a administração municipal aguarda os desdobramentos judiciais “na certeza de que serão garantidos a presunção de inocência, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório”.
Operação da Polícia Federal
O caso tem origem na Operação Mamon, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2021 para investigar uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro. Segundo as apurações, somente em 2020 o grupo teria movimentado mais de R$ 20 milhões, utilizando laranjas e empresas de fachada para ocultar valores provenientes de crimes como tráfico de drogas e contrabando.
Entre os alvos estava uma loja de conveniência localizada na Rua Major Gama, no Centro de Corumbá, que pertenceria à família de Della, então vereador. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Corumbá (MS), Belo Horizonte (MG) e Quinta do Sol (PR), além do sequestro de quatro imóveis e 61 veículos, avaliados em cerca de R$ 8 milhões, bloqueio de contas bancárias e suspensão das atividades de empresas investigadas.
Denúncia do MPF
Em outubro de 2023, o Ministério Público Federal denunciou Della e outras pessoas por organização criminosa transnacional, lavagem e ocultação de bens. Para os procuradores, o pai do secretário, Ale Tahir Della, e Ioneide Nogueira Martins seriam os líderes do esquema, que utilizaria contas de familiares e empresas de pequeno porte para movimentação financeira ilícita.
A denúncia sustenta ainda que empresas registradas em nome dos investigados seriam, em grande parte, de fachada, com movimentações incompatíveis com atividades econômicas reais. O MPF também pediu indenização por danos morais coletivos que pode chegar a R$ 2 milhões para os apontados como líderes.
A Justiça Federal recebeu a denúncia no mesmo mês, tornando os investigados réus na ação penal que segue em tramitação.




















