O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) decidiu ampliar e reorganizar as investigações sobre a degradação ambiental do Rio Melchior, um dos principais cursos d’água da região oeste do Distrito Federal. A medida foi tomada após a conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Rio Melchior, realizada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, que apontou uma série de problemas ambientais, urbanísticos e de fiscalização relacionados à bacia hidrográfica.
A decisão foi formalizada pelo promotor André Luiz Casal Duran, da 3ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema). O procedimento administrativo instaurado em 2023 foi arquivado para evitar a duplicidade de apurações, mas todo o material reunido será incorporado a uma nova investigação, agora baseada nas conclusões e recomendações apresentadas pela CPI.
Poluição recorrente e riscos ambientais
Localizado entre as regiões administrativas de Ceilândia e Samambaia, o Rio Melchior enfrenta há anos problemas relacionados à poluição e ao avanço urbano desordenado. Uma das principais preocupações identificadas pelo Ministério Público foi o surgimento de espumas em diversos trechos do rio, fenômeno associado ao lançamento irregular de efluentes líquidos provenientes do Aterro Sanitário de Brasília.
Relatórios técnicos produzidos por órgãos ambientais e de saneamento confirmaram a presença de substâncias poluentes, incluindo compostos orgânicos e agentes tensoativos capazes de comprometer a qualidade da água e afetar o equilíbrio ecológico da região. O material produzido por instituições como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, o Instituto Brasília Ambiental e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal será utilizado na nova etapa das investigações.
CPI apontou falhas estruturais
O relatório final da CPI do Rio Melchior ampliou o foco das discussões ao identificar não apenas a contaminação das águas, mas também problemas relacionados à ocupação irregular do solo, deficiência na fiscalização ambiental e falhas na atuação de órgãos públicos responsáveis pelo controle urbano e ambiental.
Os parlamentares concluíram que a situação do rio é resultado de um conjunto de fatores acumulados ao longo dos anos, exigindo ações integradas entre governo, órgãos ambientais e empresas responsáveis por atividades potencialmente poluidoras.
Busca por soluções permanentes
Com a nova frente de investigação, o MPDFT pretende aprofundar a apuração das responsabilidades pelos danos ambientais e acompanhar o cumprimento das recomendações apresentadas pela CPI. Entre os objetivos estão a recuperação ambiental da bacia do Rio Melchior, o fortalecimento da fiscalização e a adoção de medidas capazes de impedir novos episódios de contaminação.
Apesar do arquivamento do procedimento anterior, o Ministério Público destaca que a decisão não representa o encerramento das investigações. Pelo contrário, a medida busca concentrar esforços em uma apuração mais abrangente e atualizada, tendo como base o conjunto de informações produzidas pela CPI e pelos órgãos técnicos que monitoram a situação do rio.
Considerado um dos casos ambientais mais relevantes do Distrito Federal, o Rio Melchior continua sendo alvo de atenção das autoridades diante dos impactos que a degradação de suas águas pode causar ao meio ambiente e à qualidade de vida da população da região.



















