O Partido Social Democrático (PSD) oficializou, no último sábado (2), a candidatura do ex-governador José Roberto Arruda ao Governo do Distrito Federal (GDF), durante convenção realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). O evento reuniu lideranças nacionais, como o presidente do partido, Gilberto Kassab, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República.
Embora tenha confirmado Arruda como candidato ao Palácio do Buriti, o PSD ainda não definiu o nome que ocupará a vaga de vice-governador. Segundo o ex-governador, a ata da convenção permanecerá aberta até o prazo final para o registro das candidaturas, em 15 de agosto. Entre os nomes cotados estão o ex-senador Gim Argello e Jorge Argello, ambos ligados ao Avante.
Inelegibilidade segue como principal obstáculo
O maior desafio da candidatura permanece na esfera judicial. Arruda está inelegível em razão de condenações por improbidade administrativa e aposta em uma eventual mudança na interpretação da Lei da Ficha Limpa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento está suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, quando já haviam sido proferidos votos contrários à flexibilização das regras de inelegibilidade.
Além das restrições eleitorais, o ex-governador acumula condenações que determinam o pagamento de aproximadamente R$ 594 milhões em multas e ressarcimentos aos cofres públicos.
Apesar desse cenário, a convenção evidenciou o capital político de Arruda. O deputado federal Alberto Fraga e o senador Izalci Lucas, ambos do PL, participaram do evento e declararam apoio ao candidato, mesmo com o partido mantendo negociações para integrar a base da governadora Celina Leão (PP).
Propostas e discurso de retorno
Durante a convenção, Arruda apresentou propostas para áreas como mobilidade urbana e sistema financeiro. Na área de transporte, criticou a situação do Metrô-DF e defendeu a ampliação da malha por meio de parcerias público-privadas (PPPs), descartando a privatização completa do sistema.
Ao tratar da crise do Banco de Brasília (BRB), afirmou que a instituição deve permanecer pública, mas propôs o fechamento de 19 agências fora do Distrito Federal, a redução de gastos com patrocínios e a utilização de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para fortalecer o banco. Segundo ele, a real dimensão dos problemas financeiros da instituição ainda depende da divulgação do balanço contábil.
Em seu discurso, Arruda também relembrou o período em que esteve afastado da vida pública, afirmando ter atravessado um “deserto” nos últimos 16 anos, em referência à sua prisão durante a Operação Caixa de Pandora e às consequências políticas decorrentes do caso.
Mesmo diante das pendências judiciais, o ex-governador segue entre os principais nomes da disputa pelo Palácio do Buriti e figura nas pesquisas de intenção de voto como um dos adversários mais competitivos da atual governadora Celina Leão.






















