Enquanto a gestão alega crise nas contas públicas, dívida milionária no DAE e emergência por estiagem, Prefeitura oficializa contratação para lavagem, higienização e desinfecção de veículos oficiais.
A Prefeitura de Várzea Grande homologou um contrato de R$ 497.936,30 para serviços de lavagem, higienização e desinfecção da frota oficial poucos dias após a prefeita Flávia Moretti (PL) decretar calamidade financeira no município e no Departamento de Água e Esgoto (DAE), alegando um cenário de grave desequilíbrio nas contas públicas.
O Termo de Homologação do Pregão Eletrônico nº 01/2026 foi publicado no Jornal Oficial dos Municípios (AMM-MT) desta segunda-feira (3). A empresa Prime Serviços e Soluções Ltda., sediada em Várzea Grande, venceu os lotes 2, 3 e 4 da licitação, totalizando R$ 497.936,30. O lote 1 foi declarado fracassado por falta de proposta apta.
Segundo o processo administrativo nº 5224/2025, o contrato prevê a prestação de serviços de lavagem, higienização e desinfecção de veículos oficiais utilizados pelas secretarias municipais. A homologação foi assinada pela secretária municipal de Administração, Jaqueline Favetti.
A contratação chama atenção pelo momento em que é oficializada. Nos decretos publicados recentemente, a própria administração municipal justificou a adoção da calamidade financeira afirmando enfrentar um quadro de desequilíbrio fiscal, necessidade de contenção de despesas e reorganização das finanças públicas.
No caso específico do DAE, a Prefeitura argumentou que a autarquia enfrenta um rombo financeiro e uma dívida estimada em R$ 172 milhões, cenário utilizado como fundamento para decretar calamidade financeira no órgão.
Como se não bastasse, na última semana a prefeita também decretou situação de emergência por 180 dias em razão da estiagem. A administração alegou redução da disponibilidade hídrica, risco ao abastecimento de água e necessidade de medidas excepcionais para enfrentar a crise.
Diante desse contexto, a homologação de um contrato de quase meio milhão de reais para lavagem da frota oficial levanta questionamentos sobre as prioridades da gestão municipal. Embora a contratação tenha sido realizada por meio de licitação e tenha como finalidade a manutenção dos veículos públicos, o gasto ocorre justamente quando a Prefeitura sustenta que atravessa uma das mais graves crises financeiras de sua história e recorre a decretos de calamidade para justificar medidas extraordinárias.
A aparente contradição entre o discurso de austeridade e a autorização de novas despesas de elevado valor tende a ampliar o debate sobre os critérios adotados pela administração na definição de prioridades em um momento de restrição fiscal, especialmente quando o município também enfrenta uma crise no abastecimento de água e reconhece dificuldades para equilibrar suas contas.






















