O Banco de Brasília (BRB) convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para que os acionistas decidam se a instituição deverá ingressar com ações judiciais de responsabilidade civil contra ex-administradores apontados como responsáveis por prejuízos financeiros e danos à imagem do banco. A reunião está marcada para o dia 24 de agosto, às 10h, conforme edital publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) nesta segunda-feira (3).
A proposta será analisada pelos acionistas após recomendação do Conselho de Administração do BRB. Caso aprovada, a medida permitirá que o banco busque na Justiça o ressarcimento de eventuais prejuízos causados por atos ou omissões de antigos gestores.
Caso Master está no centro da discussão
A iniciativa está diretamente relacionada às investigações envolvendo operações financeiras realizadas com o ecossistema Banco Master/REAG, alvo da Operação Compliance Zero. O banco pretende responsabilizar civilmente ex-dirigentes que tenham participado ou deixado de impedir operações consideradas prejudiciais à instituição.
Entre os episódios investigados está a suposta venda duplicada de uma carteira de crédito avaliada em R$ 1 bilhão, na qual o BRB aparece como comprador. O caso ganhou repercussão por levantar suspeitas sobre falhas de governança e controle interno, além de potenciais danos ao patrimônio da instituição.
Além da reparação financeira, o banco também pretende buscar indenização pelos prejuízos causados à sua reputação, um dos principais ativos da instituição financeira.
Banco tenta superar crise
A convocação da assembleia ocorre em meio ao processo de reestruturação financeira do BRB. A instituição aguarda a liberação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), considerado fundamental para reforçar o caixa e dar continuidade ao plano de recuperação.
Recentemente, a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou que o acordo para o financiamento já foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ela, resta apenas a conclusão da documentação por parte do consórcio de bancos liderado pelo Banco do Brasil para que os recursos sejam efetivamente liberados.
Nos últimos meses, o BRB também passou por mudanças na administração, reforçou mecanismos de governança e ampliou medidas de controle interno em resposta à crise desencadeada pelas operações sob investigação.
A decisão dos acionistas no próximo dia 24 poderá representar um novo capítulo na tentativa do banco de recuperar recursos, responsabilizar antigos administradores e restabelecer a confiança do mercado e dos investidores.





















