As fraudes estariam ocorrendo há quase 20 anos. Funcionários teriam deixado de recolher R$ 750 milhões em impostos de construtoras da cidade nos últimos anos.
A Prefeitura de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, é alvo de uma nova operação policial nesta quinta-feira (31) que apura a suspeita de desvios de mais de R$ 1,5 bilhão. No total, a Polícia Civil cumpre dez mandados de busca e apreensão.
As fraudes estariam ocorrendo há quase 20 anos. Funcionários teriam deixado de recolher R$ 750 milhões em impostos de construtoras da cidade nos últimos anos.
Entre os alvos estão três secretarias (Secretaria de Desenvolvimento Urbano; Secretaria de Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação; e Secretaria da Justiça) e a Procuradoria do município, além da casa de alguns servidores supostamente envolvidos nas ações.
👉 De acordo com as investigações, iniciadas em 2022, funcionários da prefeitura tinham um esquema para favorecer contribuintes em troca de vantagens indevidas.
Eles são acusados de alterar medições e classificações de imóveis e fazer avaliações fraudulentas de áreas imobiliárias, entre outras manobras.
No decorrer das investigações foram colhidas novas informações, inclusive partir de denúncias, que apontaram que se tratava de algo muito maior do que inicialmente se imaginava e que envolvia mais funcionários e outros esquemas.
O que diz a SSP
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que a segunda fase da Operação Publicanos “tem como objetivo combater e investigar crimes praticados por servidores públicos municipais em prejuízo à Prefeitura da cidade”.
“A ação é resultado de um inquérito conduzido pelo Setor Especializado no Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (SECCOLD), instaurado para apurar irregularidades na Secretaria de Finanças do município. Ao todo, participam da ação 23 viaturas e 53 policiais civis, visando o cumprimento de mandados de busca e apreensão em 10 endereços. As diligências seguem”, diz a nota.
O que diz a Prefeitura de Guarulhos
Por meio de nota, a Prefeitura de Guarulhos disse que a atual gestão do prefeito Lucas Sanchez (PL) “apoia a operação que prejudicou não apenas a administração municipal mas, sobretudo, as famílias guarulhenses que poderiam ser melhor assistidas com a quantia desviada pela quadrilha organizada durante a gestão anterior”.
A gestão Sanchez disse que se coloca à disposição da Justiça para auxiliar nas investigações e combater o crime organizado no município.
“Segundo as investigações, que começaram em 2022, cerca de 600 investigados, entre eles funcionários públicos e particulares, empresarios, etc., recebiam propina para forjar documentos e desviar recursos municipais. A quadrilha é acusada de participação em fraudes fiscais que deixaram um rombo de R$ 14 bilhões aos cofres públicos. O montante seria suficiente para quitar a dívida da Prefeitura de Guarulhos, deixada pela gestão anterior, que ultrapassa R$ 3 bilhões, ou poderia ter sido usado para a construção de dois hospitais ou 300 escolas, entre outros equipamentos indispensáveis para a população”, disse a nota da gestão municipal.
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O atual prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches (PL), e o ex-prefeito Guti (PSD), que governou a cidade por oito anos, até fim de 2024. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/Câmara de Guarulhos e Prefeitura de Guarulhos
O g1 também procurou o ex-prefeito da cidade Gustavo Henric Costa, o Guti (PSD), que governou a cidade de Guarulhos por dois mandatos (2.17 até 2024). Também por meio de nota parabenizou as forças policiais e o Ministério Público Estadual pelas investigações que tiveram início em 2022 por iniciativa de sua gestão.
Segundo Guti, naquela ocasião a gestão dele “realizou um levantamento que apontou divergências nos impostos arrecadados e transações da pasta no setor imobiliário nos últimos anos.”
“Guti determinou que o secretário da Fazenda Ibrahim El Kadi, que permaneceu no mesmo cargo na atual gestão, iniciasse as investigações. A Polícia Civil e Ministério Público Estadual deram início à apuração de desvios financeiros estimados à época em mais de R$ 1,5 bilhão. As fraudes estariam ocorrendo há quase 20 anos. No dia da primeira operação da Polícia Civil, na sede da Secretaria da Fazenda, em 20 de dezembro de 2022, 12 funcionários, ligados ao setor de fiscalização, foram citados como investigados por suspeita de participação nas irregularidades”, afirmou.
Guti afirma que afastou preventivamente mais 25 funcionários da pasta e a investigação prosseguiu para “buscar saber quais empresas foram favorecidas pelas fraudes e quem da secretaria participava do esquema criminoso”.
“Vale frisar que a gestão do prefeito Guti conseguiu aumentar a arrecadação em R$ 590 milhões em 2024, com previsão de mais de R$ 600 milhões em 2025. Ou seja, o ex-prefeito entende que o Município já está sendo beneficiado com estas investigações, que culminaram com a ação desta quinta-feira”, disse a nota.
TV Globo e g1SP























