A PF (Polícia Federal), deflagrou na manhã desta terça-feira (9), a ‘Operação Assédio’, contra crimes de perseguição (stalking) e violência política de gênero praticados a diversas mulheres da política brasileira, com ou sem mandatos. Uma das vítimas é a senadora por Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (Podemos), que requereu ação já de outras causas, mas que cresceram a partir da CPI das Bets, a qual ela propôs e presidiu.
A senadora de MS, em nota, confirmou a investigação, onde após também revelou que um tal ‘Stalker’, a chamava de mamãe e enviou fotos de órgão genital. Mas, a parlamentar aponta que não sabia da operação que se iniciou na segunda-feira (8), contra cidadão do Rio de Janeiro, que seria apontado como um dos algozes dela e outras vitimas.
A PF ratificou a ação. “Foi cumprido mandado de busca e apreensão em Duque de Caxias/RJ, além de determinadas medidas cautelares que proíbem o investigado de acessar a internet, contatar as vítimas e deixar a região metropolitana do Rio de Janeiro sem autorização judicial”, informou a PF.
Em nota à imprensa, Soraya confirmou que é a vítima do carioca investigado pela PF. A outra vítima é a deputada federal Silvye Alves (União Brasil), de Goiás. A senadora aponta que sua caixa de e-mail recebeu mensagens desconexas e de cunho sexual. Veja abaixo mensagens, que ela falou a público após a operação da PF, para apurar crimes de perseguição e violência política de gênero praticados contra diversas mulheres, incluindo ela e a deputada
Cargo não deu prerrogativas para Operação
Apesar de ser uma das vítimas e ter o cargo de senadora, não deu prerrogativa a Soraia em ser informada sobre a Operação. Contudo, ela ressalta que por ser processo investigativo e para não atrapalhar, a parlamentar confia no trabalho da PF.
“A assessoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) informa que a parlamentar não foi comunicada previamente sobre a Operação Stalking, deflagrada nesta terça-feira (09), pela Polícia Federal, que realizou busca e apreensão na residência de um suspeito de enviar mensagens de cunho sexual à senadora e a outras mulheres, incluindo uma parlamentar”, informou.
“A senadora confia plenamente no trabalho investigativo da Polícia Federal e ressalta que, ao longo de seu mandato, tem sido alvo frequente de crimes dessa natureza, incluindo ameaças de morte, e aos seus familiares. Isso reflete atitudes sexistas e criminosas contra mulheres em cargos públicos”, destacou.
Soraya destaca, ainda, que o enfrentamento a esses crimes não é responsabilidade apenas dos órgãos de investigação, mas também do Legislativo, que deve aprovar leis mais duras e eficazes. Como exemplo, destaca a Lei do Stalking (Lei nº 14.132/2021), de autoria da senadora Leila Barros, que ampliou as penas para esse tipo de delito.
Mensagens por e-mail
A caixa de e-mail da senadora Soraya Thronicke (Podemos) recebeu mensagens desconexas e de cunho sexual. Como o nome do alvo da ‘Operação Assédio’, não foi divulgado, não é possível saber se tratar da mesma pessoal. Todavia, a senadora recebeu mensagem desconexa em novembro do ano passado.
“Mamãe prepara um quarto para mim morar com a senhora. Te amo muito (sic)”. Mais tarde, nova mensagem: “Mamãe não vai precisar expor na mídia que a senhora me adotou. Te amo muito (sic)”.
No outro dia, o mesmo remetente encaminhou três fotos de um órgão genital masculino, de diferentes ângulos, com nova mensagem.
“Mamãe me tira do lugar aonde eu estou. Me leva para morar com a senhora. Carlos será um amigo, quem eu amo e a senhora mãe (sic).”
No outro dia, outra mensagem: “Bom dia minha mamãe (emoji de coração). Mãe arruma um quarto para mim. Tenho que sair daqui onde estou (sic)”.
Questionamentos
Pela rede social, Soraya questionou os seguidores sobre o que fariam se fosse uma mulher da família deles e disse que “por lá” isso acontece todos os dias. Com a frase “liberdade de expressão sim, crime, jamais”, a senadora fez um desabafo.
“Hoje veio à tona mais um caso que escancara o que muitas de nós enfrentamos em silêncio: o assédio e a violência contra as mulheres. Um stalker, que por meses enviou mensagens obscenas e ameaças para mim e para outra parlamentar, está sendo investigado e precisa ser punido pela Justiça. Fotos explícitas, palavras de cunho sexual e até ameaças, reduzindo nosso trabalho a uma visão sexualizada. Isso não é normal. Isso é crime! Não vamos aceitar que ser mulher, principalmente em espaços de poder, signifique estar exposta diariamente a esse tipo de violência. Seguimos denunciando, cobrando e exigindo justiça. Porque respeito já passou da hora. Agora, é por justiça”, postou.























