O clima político em Várzea Grande atingiu um novo nível de tensão nesta sexta-feira (22), após um bate-boca entre a prefeita Flávia Moretti e o vereador Wender Madureira terminar em empurra-empurra, discussão generalizada e acusações mútuas dentro da Câmara Municipal. O episódio expôs o cenário de descontrole político e o acirramento da crise institucional entre Executivo e Legislativo no município.
A prefeita esteve na Câmara para protocolar projetos de lei do Executivo quando foi abordada pelo vereador, que criticou duramente a situação do Pronto-Socorro Municipal. Em tom exaltado, Wender reclamou da falta de insumos, exames e leitos, além de questionar o aparato de segurança que acompanhava a gestora.
“É assim que a senhora anda? Anda cheia de Guarda Municipal. Anda na rua”, disparou o parlamentar.
A tensão aumentou quando o secretário de Ordem Pública, Loriney dos Santos, que acompanhava a comitiva da prefeita, aproximou-se do vereador e encostou em seu peito. Revoltado, Wender reagiu imediatamente.
“Não trisca em mim. Me prende então. Você quer me prender? Me respeita”, gritou o vereador.
A partir daí, o ambiente saiu do controle. Vídeos gravados no local mostram servidores, assessores, guardas municipais e pessoas ligadas à Prefeitura envolvidos em uma intensa discussão no plenário da Câmara. Em meio ao tumulto, a prefeita deixou o local escoltada.
O vereador precisou ser contido por agentes da Guarda Municipal, enquanto outro homem ligado à Prefeitura foi empurrado para fora do prédio do Legislativo durante a confusão.
A crise gerou reação imediata dos dois lados. Em nota oficial, a Prefeitura de Várzea Grande afirmou que a prefeita foi “desacatada” e acusou o vereador de agir de forma agressiva durante a abordagem.
“A Prefeitura de Várzea Grande defende o livre debate, a pluralidade política e o respeito. A fiscalização do Executivo deve ser conduzida com equilíbrio, urbanidade e responsabilidade institucional”, afirmou a administração municipal.
Já a Câmara Municipal saiu em defesa do parlamentar e repudiou a atuação da Guarda Municipal. O Legislativo afirmou que houve abuso por parte dos agentes e declarou que um guarda “colocou a mão no peito” do vereador, além de apontar que Loriney teria dado voz de prisão ao parlamentar sem justificativa formal.
A Procuradoria da Câmara deverá apurar o caso.
O episódio amplia o desgaste político em Várzea Grande e evidencia o ambiente de confronto permanente entre aliados da prefeita e vereadores da base crítica ao Executivo. Nos bastidores, parlamentares avaliam que a relação institucional chegou ao nível mais delicado desde o início da atual gestão, aumentando o risco de novos embates políticos dentro da Câmara Municipal.





















