Em despacho publicado nesta segunda-feira (18), Eucélia Moreira Cassal reconheceu o equívoco e acatou embargo de declaração do Ministério Público Estadual e da defesa dos réus. “Quanto à omissão alegada, assiste razão à Defesa. Acolhendo posicionamento atual do STF no sentido de que o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas”, pontuou.

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“Reconheço a competência desta Vara para julgamento e processamento dos autos. Assim, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes e reconheço a competência da 3ª Vara Criminal da comarca de Campo Grande”, concluiu a magistrada, mantendo a denúncia na primeira instância.

Além de Gerson Claro, são réus os ex-diretores do Detran, Celso Braz de Oliveira e Gerson Tomi, os sócios da Pirâmide Informática, José do Patrocínio Filho e Anderson da Silva Campos, o ex-assessor da Secretaria Estadual de Governo, Luiz Alberto Oliveira Azevedo, e Fernando Roger Daga, entre outros.

Conforme a denúncia do Gaeco, Gerson Claro, então diretor-presidente do Detran, rompeu o contrato com o Consórcio REG-DOC para contratar, em regime de urgência e sem licitação por R$ 7,4 milhões em 180 dias a Pirâmide Informática, de Patrocínio e Campos. Este último morreu em um acidente de trânsito em Maracaju.

A empresa não tinha estrutura nem experiência para assumir o serviço, que poderia ser executado por funcionários do órgão estadual e custaria apenas R$ 100 mil. O gasto de R$ 7,4 milhões foi por apenas seis meses. Em seguida, a Pirâmide ganhou o contrato, também sem licitação, do Tribunal de Contas do Estado.

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O MPE pede a condenação do grupo por corrupção passiva e ativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, dispensa de licitação, peculato e organização criminosa. A promotoria pede indenização de R$ 50 milhões.

Apesar do escândalo, Gerson Claro foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2018 e reeleito em 2022. Ele ainda foi eleito presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e é o primeiro chefe do legislativo estadual réu por corrupção e organização criminosa em 40 anos de história.