operação Overclean

Alvo da PF recebeu R$ 67 milhões do orçamento secreto entre 2021 e 2024

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Investigada na Overclean, a Allpha Pavimentações tem R$ 130 milhões em contratos com o DNOCS sob suspeita da Polícia Federal

 

A Allpha Pavimentações, investigada na operação Overclean, recebeu todos os pagamentos do governo federal com verba de emenda de relator.

O governo, via Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), já pagou R$ 67 milhões à empresa, do total de cerca de R$ 130 milhões em contratos assinados entre 2021 e 2024.

Os pagamentos se iniciaram em junho de 2021, no governo de Jair Bolsonaro (PL), e foram efetuados até julho de 2024, já sob Lula (PT).

Dados do portal Transparência do governo federal mostram que a verba utilizada nos pagamentos tem origem na rubrica do orçamento que ficou conhecida como orçamento secreto.

Esse modelo de repasse entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a falta de transparência porque não é possível identificar o parlamentar responsável pela destinação dos valores.

Ao pedir as prisões da 1ª fase da operação Overclean, a Polícia Federal já havia citado o uso de emendas para custear os contratos com as empresas do grupo liderado pelos irmão Fabio e Alex Parente e por José Marcos de Moura, conhecido como Rei do Lixo.

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“O esquema de fraudes liderado pelo grupo investigado causou um dano significativo ao erário, se utilizando, inclusive, do direcionamento viciado do dinheiro oriundos de emendas/convênios para pessoas ligadas à prefeitura e empresas pré-selecionadas, resultando em obras superfaturadas”, afirmou a PF.

Como mostrou a coluna, a licitação para contratação da Allpha que deu início à investigação da Overclean foi liberada pelo atual diretor do DNOCS, Fernando Marcondes Leão, indicado pelo Centrão.

Leão foi nomeado em 2020 no governo de Jair Bolsonaro (PL), foi exonerado, em 1 janeiro de 2023, pela gestão Lula (PT), mas retornou ao cargo no dia 13 do mesmo mês, após pressão do Centrão.

A licitação de 2021 mantida por ele, mesmo com parecer contrário da Procuradoria Federal Especializada, órgão da AGU no DNOCS, resultou em três contratos com a Allpha Pavimentações -todos pagos com dinheiro de emenda de relator.

Um dos argumentos do DNOCS na Bahia para rebater os pontos elencados pela AGU e defender a continuidade da licitação por meio do Sistema de Registro de Preços foi o custeio com emendas.

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Segundo documento do órgão, o DNOCS naquele momento recebia “um crescente volume de recursos e indicações para execução de pavimentação, principalmente advindos de diferentes emendas parlamentares, tendo a necessidade de contratações frequentes e periódicas”.

Os contratos firmados após decisão de Fernando Leão renderam R$ 40,7 milhões a Allpha e tinham como objeto serviços de engenharia e pavimentação asfáltica em municípios da Bahia.

Segundo auditoria da Controladoria-Geral da União, o prejuízo ao erário nesses contratos foi de R$ 8 milhões.

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