Anastácio

TCE-MS reprova contas e aponta rombo de R$ 3,6 milhões no caixa em Anastácio

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Decisão é referente ao exercício de 2022, sob a gestão do então prefeito Nildo Albres.

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) emitiu parecer prévio contrário à aprovação das contas do Município de Anastácio, referentes ao exercício de 2022, sob a responsabilidade do então prefeito Nildo Alves de Albres (PSDB). A decisão, unânime entre os conselheiros, foi definida dia 22 de maio e publicada no Diário Oficial do órgão nesta segunda-feira, 16 de junho.

O motivo central da reprovação foi uma grave inconsistência no saldo das disponibilidades financeiras da Prefeitura. Enquanto os demonstrativos contábeis apontavam um saldo de R$ 29.156.053,15 na conta “Caixa e Equivalente”, os extratos bancários revelaram um valor bem maior: R$ 32.810.858,51.

A diferença de R$ 3.654.805,36, equivalente a 12,53% do montante, não foi justificada nem conciliada nas demonstrações financeiras.

O relatório da equipe técnica destacou que essa distorção compromete a fidedignidade das contas públicas, configurando infração prevista na Lei Complementar Estadual nº 160/2012.

Além disso, o parecer do Ministério Público de Contas acompanhou integralmente os apontamentos técnicos, reforçando a recomendação pela reprovação.

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Entre outras falhas detectadas, o TCE apontou:

  • Atraso no envio da prestação de contas, entregue um dia após o prazo legal. A Corte, no entanto, considerou o atraso uma impropriedade, sem impacto direto no mérito, convertendo em recomendação ao gestor.
  • Ocupação irregular do cargo de controlador interno, exercido por servidor comissionado e não efetivo, em desconformidade com os princípios constitucionais que exigem provimento por concurso para funções técnicas.
  • Falta de comprovação da transparência fiscal, uma vez que não foram localizados no Portal da Transparência os demonstrativos fiscais e orçamentários obrigatórios.
  • Cancelamento de restos a pagar processados no valor de R$ 4.731,20, sem apresentação de justificativa válida.

No decorrer do processo, algumas irregularidades chegaram a ser sanadas, como o cumprimento do investimento mínimo na manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE), inicialmente abaixo dos 25% exigidos pela Constituição, mas regularizado após apresentação de documentos complementares.

Apesar disso, a principal distorção contábil, o rombo de mais de R$ 3,6 milhões nas contas do município, permaneceu sem qualquer explicação por parte da gestão municipal.

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Agora, cabe à Câmara Municipal de Anastácio julgar as contas do prefeito, podendo seguir ou não o parecer do TCE-MS.

A recomendação do Tribunal também orienta que a Prefeitura providencie o provimento do cargo de controlador interno por servidor efetivo e corrija os problemas de transparência e controle fiscal.

O julgamento foi relatado pelo conselheiro substituto Leandro Lobo Ribeiro Pimentel, com participação dos conselheiros Waldir Neves Barbosa, Jerson Domingos, Marcio Campos Monteiro, Patrícia Sarmento dos Santos e Célio Lima de Oliveira, além do Procurador-Geral do Ministério Público de Contas, João Antônio de Oliveira Martins Júnior.

O que diz Nildo Albres?

Nildo Albres foi prefeito de Anastácio por quatro mandatos, sendo de 1997 a 2004 e posteriormente de 2017 a 2024. A reportagem buscou o ex-gestor para comentar a decisão do TCE, mas até o fechamento da matéria ele não se manifestou. O espaço segue aberto para futuro posicionamento.

JORNAL MIDIAMAX

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