Passo em Falso

Resistência bolsonarista atrapalha manobras de Azambuja para dominar o PL e melhorar a chance de ganhar uma vaga no Senado

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Para fazer sua candidatura ao Senado ainda mais forte em 2026, o ex-governador Reinaldo Azambuja entendeu ser necessário dar alguns passos fundamentais. O primeiro, já com data marcada, será filiar-se ao PL, para sacramentar o apoio de Jair Bolsonaro. O segundo passo: levar consigo as lideranças e filiados do PSDB, do qual ainda é o presidente regional. E, por fim, o “pulo do gato”: fazer do bolsonarismo “raiz” seu cabo eleitoral, fiando-se no poder impositivo do ex-presidente.

O plano é bom, mas esbarra num obstáculo: a poderosa resistência de bolsonaristas que não aceitam sua filiação. Azambuja sabe disso desde que, em 2018, comandou a campanha para eleger Eduardo Riedel e foi implacável nos ataques da ofensiva vitoriosa que derrotou o rival Capitão Contar (PRTB) na sucessão estadual. Tornou-se então um dos principais alvos dos fiéis bolsonaristas, que não o perdoam.

Efetivamente, algumas das vozes importantes do bolsonarismo não aceitam dividir espaços com Azambuja. Uma das provas desta resistência  está muito bem expressa na reação virulenta do deputado estadual João Henrique Catan (PL) ao saber que Azambuja teve o ato de sua filiação transferido de sexta-feira, 05, para uma semana depois, dia 12, data em que o STF deve sentenciar Bolsonaro.

Para Catan, ao fazer uma festa de filiação na mesma data em que o ex-presidente conhecerá sua sentença, o ex-governador demonstrou ter dois objetivos para garantir seu projeto senatorial: enterrar uma eventual candidatura de Bolsonaro à presidência e impedir o lançamento de chapa própria da direita bolsonarista na sucessão local, para não prejudicar a marcha de Riedel em busca da reeleição.

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A escolha de nova data com a definição para o dia 12 foi ajustada entre Azambuja e o presidente regional do PL, Tenente Portela. Mesmo assim, Catan não usa meias palavras e vai direto ao ponto de ataque: “Eu acho que quem marcou isso demonstra uma total falta de identidade e de sintonia com o partido. E eu entendo quem está sendo filiado que queira ser visto com festividade, é natural e tudo, mas isso demonstra uma falta de liga, de identidade, de sintonia com o partido”.

TIRO NOS PÉS – Desta forma, a troca do PSDB pelo PL, que parecia ser a jogada de mestre de Azambuja para pavimentar a caminhada até 2026, aos poucos vai tomando a forma abstrata, mas politicamente concreta, de um tiro nos próprios pés. A preocupação que já deve estar começando a assaltá-lo é a expectativa de um desfecho desfavorável para Bolsonaro no STF, o que reforçaria os ânimos contra sua presença e diminuiria o alcance dos votos que almeja ter com o PL e os eleitores fiéis ao capitão reformado.

Já sem contar com os votos que poderia ter do eleitorado no campo democrático, em virtude do rompimento entre o PT e o governo Riedel e de uma cogitada candidatura progressista, Azambuja vê os bolsonaristas se distanciando de seu palanque. Só mesmo uma incerta possibilidade o ajudaria: uma palavra firme e disciplinadora do ex-presidente em defesa de seu nome.

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Se for condenado, o inelegível Bolsonaro pensará duas ou mais vezes antes de dar palpites sobre 2026 e não vai entrar em bola dividida. pondo em risco o prestígio que ainda lhe resta dando fôlego a recém-chegados no seu quintal. É questão fechada no bolsonarismo guaicuru ter seu próprio candidato ao Senado. Um dos cogitados é o Capitão Contar, que vem se destacando nas pesquisas. O senador Nelsinho Trad (PSD) apoia-se também entre os direitistas para tentar a reeleição e cresceria como segundo voto do PL.

Com todos estes arranjos e diante da indisfarçável necessidade que Riedel sente de não ficar limitado à bolha de Azambuja e brilhar com a sua própria luz, o espaço de articulação, a mobilidade e até a palavra de comando do ex-governador seriam estreitados e perderiam força. Para ele, portanto, que é o primeiro das pesuisas para o Senado, a mudança para o PL só terá sido um excelente negócio se conseguir alterar o humor dos bolsonaristas e impor a Riedel que feche questão exclusiva com sua candidatura ao Senado. Não são e não serão tarefas simples.

 

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