Um áudio atribuído ao deputado estadual Paulo Araújo (PP), aliado histórico do governador Mauro Mendes (União), escancara aquilo que os servidores públicos de Mato Grosso denunciam há anos: o completo descaso do governo estadual com o funcionalismo. A gravação, obtida pela reportagem do PNB Online, revela um governo que não apenas se recusa a dialogar, mas que assumiu deliberadamente uma postura de enfrentamento contra quem sustenta o funcionamento do Estado.
Nas declarações, Paulo Araújo afirma de forma categórica que Mauro Mendes “não está preocupado com o servidor” e que o governador sequer tenta esconder essa posição. O mais grave é que a fala não vem de um adversário político, mas de um deputado da base governista, alguém que participa das articulações internas e conhece os bastidores do poder.
O áudio vem à tona justamente no dia em que servidores públicos protestam na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) pela aprovação da Revisão Geral Anual (RGA). A categoria denuncia uma defasagem salarial que se aproxima de 20%, enquanto o governo insiste em oferecer apenas 4,26%, índice considerado insuficiente e desrespeitoso diante da inflação acumulada.
Segundo Araújo, qualquer tentativa de sensibilizar o governador é inútil. O deputado relata que Mauro Mendes repete o mesmo discurso em todas as reuniões, utilizando comparações simplistas e preconceituosas para deslegitimar o serviço público. Em um dos trechos mais simbólicos do áudio, o governador questiona se seria “justo” um servidor ganhar mais do que um profissional da iniciativa privada, ignorando completamente critérios como concurso público, qualificação, responsabilidade técnica e a própria legalidade da RGA.
A fala revela não apenas uma visão distorcida sobre o papel do Estado, mas também um profundo desprezo pelos trabalhadores que mantêm hospitais, escolas, segurança pública e serviços essenciais funcionando. Ao afirmar que “já comprou a briga com o servidor”, Mauro Mendes assume uma postura autoritária e beligerante, tratando direitos constitucionais como concessões pessoais.
Ainda mais grave é o relato de que, na Assembleia Legislativa, o jogo político estaria viciado. Paulo Araújo sugere que votos são negociados, escondidos ou vendidos para garantir a vontade do Palácio Paiaguás, deixando claro que o resultado da votação já estaria previamente decidido, independentemente da mobilização dos servidores.
O episódio desmonta o discurso de austeridade seletiva do governo Mauro Mendes. Enquanto o funcionalismo é tratado como inimigo, o Executivo mantém privilégios, contratos milionários e benefícios para setores específicos, reforçando a percepção de que o ajuste fiscal recai sempre sobre quem trabalha, nunca sobre quem governa.
O áudio não é apenas uma denúncia política — é um retrato fiel de um governo que rompeu definitivamente com o diálogo, que governa por imposição e que enxerga o servidor público como um problema, não como parte da solução.
Diante das revelações, fica a pergunta: quantos outros áudios, reuniões e decisões ainda serão necessários para que a sociedade compreenda o real projeto de poder de Mauro Mendes? Um projeto que, ao que tudo indica, exclui o servidor, desrespeita direitos e transforma a máquina pública em instrumento de confronto, e não de justiça social.























