A definição das candidaturas ao Senado em Mato Grosso do Sul pelo PL pode sofrer uma reviravolta nos próximos meses. Preso na Papudinha, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve bater o martelo sobre os nomes que representarão o partido na disputa em todo o País e a decisão pode implodir ao menos duas das quatro pré-candidaturas colocadas hoje no Estado.
Além da disputa interna, um novo escândalo envolvendo delação premiada homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiciona instabilidade ao cenário político da direita e da extrema direita sul-mato-grossense.
Quatro nomes na disputa
Atualmente, o PL tem quatro pré-candidatos ao Senado em Mato Grosso do Sul: o ex-governador e presidente regional da sigla, Reinaldo Azambuja; o ex-deputado estadual Capitão Contar, que disputou o segundo turno ao Governo na última eleição; a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira; e o deputado federal Marcos Pollon.
Em um primeiro momento, os nomes ventilados pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, seriam os de Reinaldo e Contar. No entanto, Bolsonaro tem articulado diretamente da prisão para influenciar as escolhas, priorizando aliados considerados mais fiéis ao seu grupo político.
Precedente em Santa Catarina
A atuação do ex-presidente já provocou rupturas em outros Estados. Em Santa Catarina, ele retirou apoio à reeleição do senador Esperidião Amin (PP) e rompeu acordos partidários, indicando novos nomes alinhados ao seu núcleo político.
Em Mato Grosso do Sul, Bolsonaro também deve dar a palavra final. A tendência é que ele não endosse a estratégia de lançar apenas um candidato do PL ao Senado e compor com outra legenda para ampliar a base de apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
Força eleitoral e instabilidade
Bolsonaro já demonstrou força nas duas últimas eleições ao Senado no Estado. Em 2018, impulsionou a eleição de Soraya Thronicke. Em 2022, a ex-ministra Tereza Cristina foi eleita com votação histórica.
Apesar desse capital eleitoral, o ex-presidente também tem sido fator de instabilidade. Na disputa pela Prefeitura de Campo Grande, chegou a lançar sucessivamente diferentes nomes antes de consolidar apoio definitivo.
Nos bastidores, Bolsonaro pode optar por candidaturas consideradas ideologicamente mais alinhadas, como Contar, Pollon ou Gianni, especialmente em um cenário de eventual enfrentamento institucional envolvendo o STF. Já Reinaldo Azambuja, com trajetória política mais pragmática e décadas de atuação partidária, poderia adotar postura menos ideológica no Senado.
Delação e investigações
Além da disputa interna, Reinaldo enfrenta novo desgaste político após a delação do ex-dirigente da Aegea, Hamilton Amadeo, homologada pelo STJ. Segundo reportagem do UOL, ele teria acusado o ex-governador de receber R$ 2 milhões em propina para quitar dívidas de campanha, por meio de notas fiscais supostamente frias emitidas por empresas do setor de engenharia.
Reinaldo nega as acusações e afirma que não firmou qualquer acordo irregular. No entanto, a continuidade das investigações no STJ pode impactar diretamente sua viabilidade eleitoral.
O ex-governador também já foi denunciado pelo Ministério Público Federal sob acusação de ter recebido R$ 67,7 milhões em propina da JBS em troca de incentivos fiscais. Há decisão de bloqueio de R$ 207,7 milhões em bens. A denúncia, protocolada em 2020, ainda aguarda análise.
Cenário indefinido
Mesmo com o apoio de parte do eleitorado bolsonarista, Reinaldo depende do desfecho jurídico para consolidar sua candidatura. Por outro lado, a eventual lista final definida por Bolsonaro pode alterar completamente os planos do partido no Estado.
Entre articulações, delações e disputas internas, o cenário ao Senado em Mato Grosso do Sul permanece aberto e a definição do PL pode redefinir alianças, implodir estratégias e redesenhar o tabuleiro político antes mesmo do início oficial da campanha.
Com informações do site O Jacaré





















