A greve dos trabalhadores representados pelo Sinergia-MS segue mantida após novo impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2026 com a Energisa, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso do Sul. A paralisação foi confirmada para este domingo (2), após a empresa rejeitar proposta apresentada em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho.
A reunião ocorreu na última sexta-feira (28), no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, sob condução do desembargador Tomás Bawden de Castro Silva, que sugeriu um caminho intermediário para viabilizar o acordo. Segundo o sindicato, a proposta representava uma alternativa equilibrada diante das reivindicações da categoria. Ainda assim, a empresa teria recusado qualquer avanço em pontos considerados essenciais pelos trabalhadores.
Para o Sinergia-MS, a postura da concessionária revela “intransigência” e falta de compromisso com o diálogo efetivo. A entidade afirma que, mesmo diante da mediação judicial, a empresa manteve posição rígida quanto a reajustes reais, manutenção de direitos históricos e melhorias nas condições de trabalho.
Reclamações de sobrecarga e pressão
A categoria relata aumento da sobrecarga, metas consideradas abusivas e pressão constante por produtividade, além dos riscos inerentes à atividade no setor elétrico. Trabalhadores argumentam que a empresa registra lucros consistentes, mas demonstra resistência quando o debate envolve valorização salarial e garantias trabalhistas.
O sindicato sustenta que não se trata apenas de percentual de reajuste, mas de reconhecimento profissional e respeito a direitos já consolidados. “Não há disposição para abrir mão de conquistas nem aceitar retrocessos”, pontua a direção da entidade.
Mediação frustrada
A audiência no TRT reforçou, segundo o sindicato, a importância da negociação transparente. Entretanto, a tentativa de conciliação terminou sem consenso. A ata da reunião foi disponibilizada à categoria e à imprensa, detalhando as posições apresentadas.
Nos bastidores, lideranças sindicais avaliam que a estratégia da empresa aposta no desgaste do movimento e na pressão econômica sobre os trabalhadores. A decisão de manter a greve é vista como resposta direta à postura considerada inflexível da concessionária.
Impacto e pressão pública
A paralisação ocorre em um momento sensível, já que a Energisa detém concessão pública e opera serviço essencial. Para representantes da categoria, empresas que atuam sob concessão estatal deveriam demonstrar maior responsabilidade social e compromisso com seus empregados.
Até o momento, não houve sinalização concreta de retomada das negociações com avanços substanciais. O Sinergia-MS afirma continuar aberto ao diálogo, mas condiciona qualquer acordo ao reconhecimento das demandas consideradas prioritárias.
Enquanto o impasse persiste, cresce a pressão pública sobre a concessionária para que reveja sua postura e apresente proposta compatível com as reivindicações da categoria, evitando o prolongamento de uma greve que poderia ter sido evitada com maior flexibilidade nas negociações.






















