Após sete anos sob a administração do governador Mauro Mendes, o estado de Mato Grosso passou a figurar de forma recorrente entre os locais mais perigosos do país para as mulheres. Dados recentes divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em março de 2026, mostram que o estado atingiu uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil mulheres, ocupando a terceira posição no ranking nacional.
O índice coloca Mato Grosso muito acima da média brasileira de 1,4 mortes por 100 mil mulheres, consolidando uma tendência de crescimento observada nos últimos anos. Em 2023 e 2024, o estado chegou a liderar o ranking nacional da violência letal contra mulheres, com taxas próximas de 2,5, segundo levantamentos do próprio FBSP.
A persistência desses números coloca em xeque a eficácia das políticas de segurança pública adotadas ao longo da gestão estadual. Especialistas e entidades de defesa dos direitos das mulheres apontam que, apesar de discursos oficiais sobre combate à violência de gênero, as ações práticas ainda são insuficientes para conter o avanço do feminicídio no estado.
Medidas protetivas que não protegem
Outro dado que agrava o cenário é revelado pelo relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil 2026”, também produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo o estudo, 22,2% das vítimas de feminicídio em Mato Grosso, em 2025, possuíam Medidas Protetivas de Urgência (MPU) ativas no momento do crime.
O percentual é quase o dobro da média nacional, de 13,1%, o que levanta questionamentos sobre a capacidade do poder público de fiscalizar e garantir o cumprimento dessas determinações judiciais.
Na prática, especialistas afirmam que muitas mulheres acabam assassinadas mesmo após recorrerem à Justiça. A crítica recorrente é de que a medida protetiva se transforma apenas em um documento formal, sem estrutura efetiva de monitoramento, acompanhamento policial ou rede de proteção capaz de evitar a escalada da violência.
Interior sem estrutura de proteção
A situação torna-se ainda mais crítica fora da capital. Municípios do interior de Mato Grosso enfrentam falta de delegacias especializadas, casas de acolhimento e equipes multidisciplinares, o que dificulta o atendimento às vítimas de violência doméstica.
Organizações da sociedade civil apontam que a ausência dessa estrutura cria um cenário de vulnerabilidade permanente, especialmente para mulheres que dependem de redes públicas de proteção.
“Pódio do horror”
Com números que quase dobram a média nacional, Mato Grosso segue figurando entre os três estados com maiores taxas de feminicídio do país, consolidando o que especialistas classificam como uma crise estrutural na política de segurança voltada às mulheres.
Enquanto o estado permanece no chamado “pódio do horror” da violência de gênero, cresce a pressão por políticas públicas mais efetivas, ampliação da rede de atendimento e fiscalização real das medidas protetivas — ações consideradas essenciais para impedir que estatísticas continuem se transformando em novas vítimas.























