Corumbá dos privilégios

Prefeito ignora concursados e contrata escritório investigado por R$ 420 mil em Corumbá

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Mesmo com concurso público vigente e candidatos aprovados prontos para assumir funções jurídicas, a Prefeitura de Corumbá decidiu ignorar os próprios quadros técnicos e contratar um escritório de advocacia externo investigado por improbidade administrativa. A decisão, considerada irregular pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), colocou o prefeito Gabriel Alves (PSB) no centro de mais uma controvérsia administrativa.

A 5ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social de Corumbá revelou que a gestão municipal mantém aprovados em concurso público de 2024 “na gaveta”, enquanto paga R$ 35 mil por mês  totalizando R$ 420 mil  para a contratação da empresa Lacerda Silva Sociedade Individual de Advocacia – ME.

Diante das irregularidades apontadas, o Ministério Público enviou recomendação formal ao prefeito e à secretária municipal de Governo e Gestão Estratégica, Josileia Rigo Marques, determinando a anulação do Contrato Administrativo nº 22/2025.

O documento foi assinado pelo promotor Rodrigo Corrêa Amaro e publicado na edição desta terça-feira (10) do Diário Oficial do MPMS.

Contratação questionada

Segundo a promotoria, o contrato foi firmado por inexigibilidade de licitação, mecanismo permitido apenas quando há inviabilidade de competição, situação que não teria sido comprovada pela administração municipal.

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O contrato, vinculado ao Processo Administrativo nº 32.765/2025, prevê a prestação de serviços de consultoria jurídica em Direito Público e atuação em processos no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

No entanto, para o Ministério Público, as atividades descritas — como elaboração de manifestações, acompanhamento de processos, interposição de recursos e sustentações orais — são tarefas rotineiras e inerentes às funções da própria Procuradoria do Município.

Concursados ignorados

A crítica mais contundente da promotoria está no fato de que o próprio município realizou concurso público em 2024 para procuradores e analistas jurídicos, com o certame homologado e ainda vigente.

Ou seja, há profissionais aprovados e aptos a assumir as funções, mas que permanecem fora da estrutura administrativa enquanto recursos públicos são direcionados para uma contratação externa.

Para o MP, essa situação pode configurar preterição arbitrária de concursados, prática que afronta os princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência na administração pública.

Escritório já teve condenação

Outro ponto que agrava o caso é que o escritório contratado possui registro de condenação por improbidade administrativa, ainda sem trânsito em julgado, proferida pela Vara Única da Comarca de Água Clara (MS).

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Na avaliação do Ministério Público, esse histórico reforça a inadequação da contratação, principalmente diante da existência de estrutura jurídica própria no município.

Possíveis consequências

Além de recomendar a anulação imediata do contrato, o MPMS determinou que a prefeitura se abstenha de realizar novas contratações de escritórios de advocacia para serviços que façam parte da rotina da Procuradoria-Geral do Município.

Caso a recomendação seja ignorada, o Ministério Público poderá ingressar com medidas judiciais, incluindo ações por improbidade administrativa contra os gestores responsáveis.

Silêncio da prefeitura

Desde segunda-feira (9), a reportagem do Jornal Midiamax tenta contato com o prefeito Gabriel Alves para comentar as denúncias, mas não obteve retorno até o momento.

O escritório Lacerda Silva Sociedade Individual de Advocacia, localizado em Campo Grande, também foi procurado por meio de WhatsApp. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

O espaço segue aberto para manifestações.

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