O deputado federal Marcos Pollon passou a considerar a possibilidade de deixar o Partido Liberal (PL) para assegurar sua candidatura ao Senado nas eleições deste ano. Integrante da ala mais radical do bolsonarismo, ele teme ser barrado na convenção partidária e, por isso, já iniciou conversas com o Republicanos. Outra alternativa cogitada é o Partido Novo.
A movimentação ocorre mesmo após um gesto de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um bilhete atribuído a Bolsonaro animou Pollon ao incluir seu nome entre os preferidos do ex-presidente para disputar uma vaga no Senado.
Apesar disso, o deputado demonstra receio de ser “rifado” na reta final das articulações eleitorais. O temor envolve tanto uma eventual mudança de posição de Bolsonaro quanto a influência do presidente estadual do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja.
Nas redes sociais, Pollon afirmou não se incomodar com a divulgação de fake news sobre o episódio. A polêmica surgiu após o senador Flávio Bolsonaro divulgar um bilhete em que constava a anotação de que o deputado sul-mato-grossense teria exigido R$ 15 milhões para desistir de disputar o Senado ou o Governo do Estado acusação que circulou nos bastidores políticos.
Disputa interna no PL
A manifestação de Bolsonaro também gerou desconforto dentro do próprio partido. Isso porque a executiva nacional do PL havia sinalizado que os nomes prioritários da legenda para o Senado em Mato Grosso do Sul seriam Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar.
Com o cenário indefinido, Pollon teme ser preterido durante a convenção partidária, prevista para agosto. A relação entre o deputado e Azambuja, inclusive, é marcada por forte tensão. Durante um protesto realizado no ano passado em Campo Grande, Pollon chegou a chamar o ex-governador de “canalha”. Na época, quando Azambuja ainda estava no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o parlamentar afirmou que não o apoiaria em nenhuma circunstância.
Plano bolsonarista
Antes do episódio do bilhete, Pollon articulava uma estratégia com Capitão Contar para formar uma dobradinha ao Senado, tentando tirar Azambuja da disputa e garantir duas vagas para nomes alinhados ao bolsonarismo.
Nos bastidores, aliados avaliam que a imprevisibilidade de Bolsonaro contribui para a insegurança do deputado. O ex-presidente já mudou de posição em diferentes disputas eleitorais no Estado.
Em duas ocasiões, por exemplo, Bolsonaro chegou a lançar a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, como possível candidata ao Senado. Com o avanço das negociações, porém, a tendência é que ela não dispute o cargo pelo PL, sendo cogitada inclusive como suplente na chapa de Azambuja.
Histórico de mudanças de apoio
A oscilação política do ex-presidente também ficou evidente em disputas anteriores. Na eleição municipal de 2024 em Campo Grande, Bolsonaro chegou a sinalizar apoio a diferentes nomes, como Capitão Contar, João Henrique Catan, Rafael Tavares e Tenente Portela. No fim, optou por apoiar Beto Pereira, que acabou não chegando ao segundo turno.
Situação semelhante ocorreu na eleição para o Governo do Estado em 2022. Bolsonaro declarou apoio público a Capitão Contar na véspera do primeiro turno. Já no segundo turno, adotou postura mais ambígua e afirmou apoiar tanto o bolsonarista quanto Eduardo Riedel, então filiado ao PSDB e que acabou eleito.
Diante desse histórico de reviravoltas, Pollon tenta se antecipar e garantir um plano alternativo fora do PL para assegurar presença na disputa pelo Senado.
Com informações do site O Jacaré




















