A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, promoveu nesta sexta-feira (22) uma das mudanças mais simbólicas de sua gestão ao exonerar Jackeline Couto Canhedo do comando da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e nomear Giselle Ferreira para a chefia da pasta. A alteração, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), é interpretada nos bastidores políticos como um movimento direto de consolidação de poder da governadora e um novo capítulo no rompimento com o ex-governador Ibaneis Rocha.
A troca ocorre em meio ao acirramento das tensões entre os dois líderes políticos. Na última quarta-feira (20), Ibaneis divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que acumulava “muitas decepções” em relação à condução do atual governo, apesar de ter apostado politicamente na sucessão de Celina. A resposta da governadora veio de forma pública e contundente: “sucessão nunca será submissão”. A declaração repercutiu fortemente no meio político do DF e foi interpretada como a confirmação de um afastamento político definitivo entre os antigos aliados.
A escolha de Giselle Ferreira para assumir a Sedes reforça essa leitura. Considerada uma das pessoas de maior confiança da governadora, Giselle já ocupou cargos estratégicos no Executivo local, incluindo a Secretaria de Esporte e, mais recentemente, a Secretaria da Mulher. Sua chegada à pasta social representa não apenas uma mudança administrativa, mas também uma retomada de controle político sobre uma das estruturas mais estratégicas do governo distrital.
A Secretaria de Desenvolvimento Social possui enorme relevância política devido à gestão de programas de transferência de renda, assistência social e políticas voltadas à população vulnerável. Por esse motivo, a pasta é tradicionalmente vista como um dos principais ativos eleitorais do governo, frequentemente chamada nos bastidores de “galinha dos votos de ouro”.
Desde o início da gestão de Ibaneis Rocha, em 2019, a Sedes permaneceu sob influência direta do núcleo político emedebista. A secretaria foi comandada durante mais de dois anos pela ex-primeira-dama Mayara Noronha Rocha e, posteriormente, por Ana Paula Marra, considerada uma das aliadas mais próximas do ex-governador.
Com a nomeação de Giselle Ferreira, Celina Leão passa a exercer influência direta sobre uma área considerada essencial para a articulação política e social do governo. O movimento também sinaliza uma possível reorganização de forças dentro da base governista, especialmente diante das especulações sobre os cenários eleitorais de 2026.
Nos bastidores do Palácio do Buriti, a avaliação é de que a governadora busca consolidar uma identidade administrativa própria, desvinculando-se gradualmente da tutela política do grupo liderado por Ibaneis Rocha. A mudança na Sedes, nesse contexto, é vista como um dos gestos mais claros até agora de afirmação de autonomia política dentro do Governo do Distrito Federal.




















