A destinação de R$ 5 milhões pelo Governo do Distrito Federal (GDF) ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também proprietária da produtora responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou reação na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Parlamentares da oposição passaram a cobrar explicações sobre a aplicação dos recursos públicos e pedem investigação dos órgãos de controle.
O deputado distrital Chico Vigilante protocolou representação junto ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios solicitando a apuração da parceria firmada entre o governo e a organização social. O parlamentar pede que sejam investigadas possíveis irregularidades na execução do projeto e eventual prejuízo aos cofres públicos.
Paralelamente, o deputado distrital Gabriel Magno encaminhou um ofício à Secretaria de Educação do DF requerendo informações detalhadas sobre a implementação do programa Steam Maker, que foi objeto do convênio milionário.
Denúncias de falhas na execução
Segundo os parlamentares, relatos de professores e gestores escolares apontam problemas significativos na execução do projeto. Entre as principais reclamações estão atrasos no cronograma de implantação, ausência de suporte técnico adequado para os profissionais da educação e dificuldades estruturais em diversas escolas.
Também foram relatados problemas na rede elétrica de unidades de ensino que teriam impedido a utilização dos chamados “Smart Labs”, compostos por kits de robótica, impressoras 3D e equipamentos tecnológicos destinados à modernização do ensino público.
O contrato foi firmado em dezembro de 2023 durante a gestão do governador Ibaneis Rocha. Inicialmente estimado em R$ 4 milhões, o acordo recebeu um aditivo de R$ 1 milhão apenas um mês após sua assinatura, elevando o valor total para R$ 5 milhões e ampliando sua vigência até dezembro de 2025.
Prestação de contas gera questionamentos
Outro ponto que chamou a atenção dos parlamentares é a situação do projeto nos registros da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). Embora o prazo para prestação de contas tenha sido encerrado em março de 2025, o sistema ainda registra a iniciativa como “em execução”.
A divergência entre os prazos contratuais e a situação administrativa do programa passou a ser um dos focos dos questionamentos apresentados à Secretaria de Educação e aos órgãos de fiscalização.
Ligação com filme sobre Bolsonaro amplia repercussão
A controvérsia ganhou dimensão nacional devido à atuação simultânea de Karina Ferreira da Gama no Instituto Conhecer Brasil e na produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse.
O instituto também aparece citado em investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo na chamada Operação Wi-Fi. A apuração busca esclarecer suspeitas de irregularidades em contratos públicos celebrados com a prefeitura paulistana e eventuais vínculos financeiros com a produção cinematográfica.
As investigações também mencionam a participação de figuras políticas ligadas ao projeto audiovisual, entre elas o deputado federal Mario Frias, que assina o roteiro do longa-metragem e destinou emendas parlamentares ao instituto, além do senador Flávio Bolsonaro, citado em reportagens sobre a busca de apoiadores financeiros para a produção.
Governo defende legalidade do processo
Em nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal afirmou que a parceria foi resultado de um processo público de seleção, no qual o Instituto Conhecer Brasil obteve a maior pontuação técnica entre as entidades participantes.
A pasta sustenta que sua atuação esteve restrita ao acompanhamento pedagógico das atividades e que os recursos utilizados não tiveram origem no orçamento próprio da Secretaria de Educação.
Apesar da defesa apresentada pelo governo, a pressão política sobre o caso aumentou nos últimos dias. Com a entrada do MPDFT e a cobrança formal da oposição na CLDF, o contrato de R$ 5 milhões passa a ser alvo de uma análise mais ampla sobre a efetividade do projeto, a transparência na aplicação dos recursos públicos e as conexões entre a entidade beneficiada e a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.






















