A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), confirmou nesta terça-feira (21) a venda do Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do transporte coletivo da Capital desde 2012. A aquisição foi feita pela empresa goiana HP Mobilidade, em um momento em que o sistema enfrenta uma das maiores crises de sua história, marcada por intervenção da Prefeitura, críticas da população e questionamentos sobre a qualidade dos serviços prestados.
Segundo a prefeita, a administração municipal foi comunicada oficialmente sobre a negociação durante uma reunião realizada nesta terça-feira. Para Adriane Lopes, a mudança representa um avanço no processo de reestruturação do transporte público.
“Hoje é mais um passo sendo dado dentro da intervenção”, afirmou a prefeita.
Ela destacou que a transferência do controle da concessionária ainda depende da anuência do poder público, conforme previsto no contrato de concessão. A Prefeitura informou que irá analisar a operação e cobrar da nova controladora o cumprimento das exigências estabelecidas durante a intervenção.
“Vejo essa notícia com bons olhos para a reestruturação do transporte de Campo Grande”, declarou Adriane.
Intervenção e pressão por melhorias
A venda ocorre em meio ao processo de intervenção decretado pela Prefeitura após sucessivas reclamações sobre a precariedade do transporte coletivo, incluindo ônibus antigos, atrasos constantes, superlotação e falhas na manutenção da frota.
O Consórcio Guaicurus também foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, que apontou uma série de problemas relacionados à prestação do serviço e ao cumprimento do contrato de concessão.
A expectativa da administração municipal é que a entrada da HP Mobilidade represente uma oportunidade para modernizar o sistema e recuperar a confiança dos usuários.
Disputa judicial continua
O anúncio da venda acontece apenas um dia após o Consórcio Guaicurus obter uma decisão judicial que suspendeu, temporariamente, o acesso dos interventores municipais a cerca de R$ 46 milhões mantidos em contas da empresa.
A disputa faz parte do processo de intervenção e evidencia que, apesar da mudança de controle societário, ainda existem impasses jurídicos e administrativos que deverão ser resolvidos antes da efetiva transição da operação.
Próximos passos
Agora, a Prefeitura deverá analisar formalmente a transferência da concessão para a HP Mobilidade. Caso a operação seja aprovada, a expectativa é que a nova controladora apresente um plano de investimentos para renovar a frota, melhorar a qualidade do serviço e atender às exigências estabelecidas durante a intervenção.
A mudança é considerada um dos momentos mais importantes da história recente do transporte coletivo de Campo Grande e poderá redefinir o futuro da mobilidade urbana na Capital, após mais de uma década de operação sob o comando do Consórcio Guaicurus.






















