Corrupção

‘Laranja’ de Claudinho Serra? Empresa tinha folha de R$ 3,6 mil e deixou cemitério em estado crítico

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Uma das empresas investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) no âmbito da Operação Tromper, a JL Serviços Empresariais e Comércio Alimentício LTDA, chamou a atenção dos investigadores pelo baixo gasto com pessoal, apesar de ter firmado contratos que somaram quase R$ 600 mil com a Prefeitura de Sidrolândia para manutenção e conservação do Cemitério Municipal São Sebastião.

De acordo com denúncia apresentada pelo MPE, a empresa era utilizada como uma das engrenagens do suposto esquema de desvio de recursos públicos comandado pelo ex-secretário municipal de Fazenda, Cláudio Jordão de Almeida Filho, conhecido como Claudinho Serra (PSDB). A proprietária formal da empresa, Jacqueline Mendonça Leiria, é apontada pelos investigadores como “testa de ferro” do ex-gestor.

Segundo a acusação, a JL Serviços Empresariais foi criada logo após a nomeação de Claudinho para o cargo público e obteve seu primeiro contrato com a administração municipal apenas 90 dias depois de sua constituição.

Documentos apreendidos durante a Operação Tromper revelaram que, em agosto de 2022, a empresa registrou despesas com pessoal de apenas R$ 3.687, valor equivalente a pouco mais de três salários mínimos da época. Para o Ministério Público, o montante é incompatível com a estrutura necessária para executar os serviços contratados pelo município.

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Além da suspeita de falta de capacidade operacional, mensagens obtidas pela investigação mostram reclamações da então secretária municipal Elaine de Souza Canatto Coimbra, atualmente vereadora, sobre a situação precária do Cemitério São Sebastião.

Em conversa encaminhada a Jacqueline, a secretária afirma que o local estava “abandonado e sujo”, com apenas duas mulheres realizando o rastelamento da área, enquanto o mato avançava sobre o espaço. Na mensagem, Elaine destaca que já havia alertado anteriormente sobre o tamanho reduzido da equipe responsável pela manutenção.

Para os promotores, as evidências apontam que a empresa não prestava efetivamente os serviços contratados. A denúncia menciona pagamentos realizados sem comprovação adequada, emissão de notas fiscais supostamente fictícias e até mesmo a utilização de servidores e recursos da própria prefeitura para executar atividades que deveriam ser realizadas pela contratada.

“As conversas mantidas por Jacqueline já indicam a ausência da prestação do serviço público contratado”, destaca trecho da denúncia.

As investigações também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. Conforme o MPE, em 16 de setembro de 2022, a JL recebeu R$ 29.299,01 da Prefeitura de Sidrolândia referentes a contrato público. No mesmo dia, houve uma transferência de R$ 10 mil para Márcia Regina Flores Portocarrero de Almeida Serra, mãe de Claudinho Serra.

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Para os investigadores, as operações financeiras reforçam a suspeita de que a empresa era utilizada para captar recursos públicos sem possuir estrutura compatível com os contratos celebrados e sem executar integralmente os serviços previstos.

Ao todo, os contratos da JL Serviços Empresariais para serviços no cemitério municipal alcançaram R$ 598 mil, celebrados por meio de carta-convite, pregão presencial e dispensa de licitação.

Os fatos integram a denúncia apresentada pelo Ministério Público na Operação Tromper, que apura supostas fraudes em licitações, corrupção e desvio de recursos públicos em Sidrolândia.

Com informações do site O Jacaré

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