A Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems) está no centro de uma polêmica após anunciar um aumento de até 50% nas taxas pagas pelos usuários, gerando críticas tanto por parte dos beneficiários quanto de parlamentares. O reajuste afeta as contrapartidas pagas em consultas médicas e exames, atingindo um número significativo de servidores e seus dependentes.
Ricardo Ayache, presidente da Cassems, defendeu o aumento, alegando que a medida é necessária para garantir a continuidade da qualidade dos serviços prestados, sem comprometer a sustentabilidade do plano. “A Cassems ainda mantém o menor preço no Estado, com uma contribuição média de R$ 450 por titular, enquanto o mercado cobra cerca de R$ 700”, afirmou Ayache, justificando que o reajuste é uma resposta à crise enfrentada pelos planos de saúde no Brasil, acentuada pela pandemia de covid-19 e pelo envelhecimento da população.
Contudo, a decisão não foi bem recebida por todos. A Associação dos Beneficiários da Cassems (Abecams), representada por seu presidente, Jeder Fabiano, criticou veementemente o aumento, considerando-o desproporcional, principalmente porque os servidores estaduais não receberam reajustes salariais significativos nos últimos anos. Fabiano pediu uma auditoria externa para averiguar a situação financeira da entidade e questionou a gestão de recursos da Cassems, sugerindo a adoção de uma política de corte de gastos e otimização de rotinas, ao invés de repassar o ônus para os usuários.
Além disso, o deputado estadual João Henrique (PL) denunciou transações imobiliárias envolvendo a Cassems, que, segundo ele, configuram irregularidades e estão prejudicando o patrimônio público. Henrique revelou que dois imóveis da instituição foram vendidos por valores abaixo do mercado, com a alegação de que a venda não foi aprovada por uma assembleia geral de servidores, o que levanta questionamentos sobre a transparência e legalidade do processo. “Estão dilapidando o patrimônio público em nome dos servidores. Essas transações podem configurar motivo para a abertura de uma CPI”, declarou o parlamentar, destacando que houve desvalorização dos imóveis, com uma venda por valores inferiores aos acordados, e contratos de aluguel com termos duvidosos.
As transações questionadas incluem a venda da unidade administrativa da Cassems em Campo Grande por R$ 24 milhões, quando o imóvel estava avaliado em cerca de R$ 33 milhões. O deputado João Henrique ainda afirmou que o contrato de aluguel de dez anos, firmado com o comprador, estabeleceu uma taxa de reajuste que contraria as práticas de mercado.
Essas denúncias, somadas ao aumento das taxas, geram uma crescente tensão entre os beneficiários do plano e seus gestores. Enquanto Ayache busca defender a saúde financeira da Cassems, criticando os ataques políticos e as pressões externas, a Abecams e parlamentares exigem uma investigação mais profunda sobre a gestão da entidade. Para os servidores, o cenário de aumento nas taxas, aliado a questões de transparência e eficiência administrativa, coloca em xeque a confiança na Cassems como um plano de saúde acessível e eficaz.
Com as tensões crescendo e o futuro da Cassems em jogo, a questão parece longe de ser resolvida. A expectativa agora recai sobre as ações políticas e as investigações que devem seguir nos próximos meses, enquanto os beneficiários aguardam respostas para as preocupações levantadas.



















