Caos na saúde

Caos na Saúde de Rondônia: falta de pagamentos coloca cirurgias em risco

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A saúde pública de Rondônia enfrenta mais um episódio que coloca em xeque a capacidade de planejamento e gestão do Governo do Estado. A suspensão, a partir desta sexta-feira (14), dos serviços de esterilização de materiais cirúrgicos prestados pela empresa Bioplus ameaça o funcionamento de 13 hospitais públicos em sete municípios e pode comprometer uma estrutura que realiza cerca de 7 mil cirurgias por mês.

Segundo a empresa, a paralisação ocorre após um atraso de 20 meses nos repasses da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A informação, se confirmada pela administração estadual, revela uma situação que vai muito além de um simples problema administrativo: trata-se de uma falha que pode atingir diretamente pacientes que dependem de procedimentos cirúrgicos e atendimento hospitalar.

O ponto mais preocupante é que a esterilização de instrumentos não é um serviço acessório. É uma etapa básica e indispensável para a realização segura de cirurgias e outros procedimentos. Sem materiais devidamente esterilizados, hospitais ficam limitados e pacientes podem ser submetidos a cancelamentos, transferências ou aumento do tempo de espera.

Um problema que não deveria chegar ao paciente

A população não pode ser transformada em refém de problemas financeiros, burocráticos ou administrativos entre o poder público e empresas contratadas.

Se existe uma dívida acumulada durante 20 meses, a pergunta inevitável é: por que o problema não foi solucionado antes de chegar ao ponto de interromper um serviço essencial?

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A situação também levanta questionamentos sobre fiscalização dos contratos, planejamento orçamentário e capacidade de antecipação de crises dentro da Secretaria de Estado da Saúde.

É justamente para evitar situações como essa que existe uma estrutura administrativa responsável por acompanhar contratos, pagamentos e a continuidade dos serviços públicos. Quando um problema dessa dimensão explode, a responsabilidade pela solução não pode simplesmente ser empurrada para a empresa contratada.

Sete mil cirurgias mensais em risco

O impacto potencial é enorme. Conforme informado pelo Rondoniaovivo, a suspensão pode atingir 13 hospitais públicos e comprometer aproximadamente 7 mil cirurgias mensais.

Mesmo que os hospitais tenham algum estoque estratégico de materiais esterilizados, isso representa apenas uma margem temporária. Estoque não resolve uma crise estrutural de abastecimento.

A população precisa saber por quanto tempo esse estoque será suficiente, quais hospitais estão mais vulneráveis, quais medidas emergenciais foram adotadas e se existe um plano alternativo para garantir a continuidade das cirurgias.

Onde está a responsabilidade pela gestão?

A crise coloca a Sesau diante de uma cobrança inevitável: como um serviço tão essencial chegou ao ponto de ser interrompido por falta de pagamento?

Não se trata apenas de saber quem deve ou quem cobra. É preciso esclarecer quanto o Estado deve, quais contratos estão envolvidos, por que os pagamentos ficaram atrasados por tanto tempo e quais providências foram tomadas ao longo desses 20 meses.

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Também é fundamental que os órgãos de controle acompanhem a situação.

Tribunal de Contas, Ministério Público e Assembleia Legislativa têm instrumentos para cobrar explicações e verificar se houve falhas de planejamento, execução contratual ou gestão financeira.

O paciente não pode pagar a conta

O cidadão que procura um hospital público não tem qualquer responsabilidade sobre contratos, empenhos, liquidações ou pagamentos. Ele espera encontrar atendimento, médicos, medicamentos, equipamentos e condições mínimas para ser tratado com segurança.

Quando uma disputa financeira ameaça impedir cirurgias, quem acaba pagando a conta é justamente quem menos tem poder de decisão: o paciente.

Rondônia precisa de respostas rápidas e transparentes. O Governo do Estado deve informar quais hospitais podem ser afetados, qual é o tamanho real da dívida com a empresa, quais medidas emergenciais foram adotadas e, principalmente, como pretende impedir que uma crise administrativa se transforme em uma crise de saúde pública.

A suspensão da esterilização é um alerta grave. Mais do que uma disputa entre governo e empresa, o episódio expõe a fragilidade de uma engrenagem que deveria funcionar silenciosamente para garantir que o cidadão seja atendido.

Em saúde pública, atraso de pagamento não pode significar atraso no atendimento. E muito menos colocar cirurgias em risco.

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